Soja atinge cotação recorde
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sexta-feira, 13 de julho de 2012
Mariana Fabre <br> Reportagem Local 
A estiagem que causou perdas significativas nas lavouras de soja dos três maiores produtores mundiais, Estados Unidos, Brasil e Argentina, teve como efeito a redução da oferta e, consequentemente, a valorização da oleaginosa. O preço da commodity no Paraná estava cotado a R$ 66,31 a saca, na última quinta-feira, mas chegou a passar a casa dos R$ 70 nas últimas semanas. Nas lavouras paranaenses, a seca gerou perdas de 35% na safra 2011/12, o que corresponde a uma redução de 3,8 milhões de toneladas de soja. No Brasil, a quebra foi de 11,7%, com diminuição de 8,6 milhões de toneladas.
O novo levantamento de safra realizado pelo Ministério da Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), apontou prejuízo de 5% na produção de soja, com redução de 5 milhões de toneladas em função da seca. O clima afetou mais drasticamente as lavouras de milho, que sofreram perdas de 15%, o equivalente a 46 milhões de toneladas.
De acordo com a economista da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Gilda Bozza, desde a última segunda-feira, os preços da commodity já haviam ultrapassado o recorde histórico de US$ 16,58/bushel, registrado em julho de 2008, e, após a divulgação do relatório da safra norte-americana, se mantiveram em patamares elevados. ''As entidades já haviam antevisto a quebra da safra, o que fez os preços subirem ainda mais. Na quarta-feira, com a divulgação do relatório da USDA, as cotações chegaram até a cair ligeiramente, mas logo voltaram a se recuperar'', conta. Segundo levantamento da Céleres, os preços só não estão ainda mais elevados pois são contidos pela crise econômica global.
Na quinta-feira, a oleaginosa era comercializada a US$ 35,93 a saca no mercado internacional, o equivalente a R$ 73,40. No Paraná, a saca de soja era vendida a R$ 66,31 na quinta. ''A oferta está muito reduzida e as indústrias já estão procurando soja em outros estados'', revela Gilda. Na semana passada, a saca do grão chegou a ser comercializada a US$ 36,90 no Porto de Paranaguá, o equivalente a R$ 74,90, representando alta de 5,2% na semana. O preço é resultado do prêmio para a exportação, que na quinta-feira estava cotado a US$ 4,40 por saca no porto paranaense.
''A maior parte dos sojicultores já havia comercializado a safra a preços rentáveis e, por isso, poucos estão aproveitando o atual bom momento'', afirma a economista. Segundo Gilda, é provável que o alto rendimento gerado pelas lavouras de soja estimule os agricultores a ampliarem a área cultivada com o grão na próxima safra de verão. A comercialização se mantém em ritmo acelerado e 96% da safra paranaense já está vendida segundo a Faep. Em relação à safra 2012/13, dados da Céleres estimam comercialização de aproximadamente 35% no País.
A economista da Faep argumenta que ainda não é possível apontar a tendência do mercado para o restante do ano, pois a estimativa de preços ainda depende do desempenho do clima nos Estados Unidos, onde a colheita se inicia em setembro. ''Se chover nos próximos 15 dias, o preço deve cair, mas se a estiagem continuar, o preço pode subir ainda mais'', exemplifica.
Exportação
Seguindo a tendência de escoamento da safra, que se concentra no primeiro semestre do ano, as exportações brasileiras de soja em junho apresentaram queda de 33,5% em relação ao volume embarcado em maio. Na comparação com junho do ano passado, no entanto, a comercialização teve alta de 6,3%. Pesquisa da Céleres aponta que no acumulado do ano, o volume exportado totalizou 23,4 milhões de toneladas, 29% superior ao mesmo período do ano passado e 13,4% maior do que a média dos últimos cinco anos. A receita obtida com as exportações no primeiro semestre do ano somou US$ 11,9 bilhões, um aumento de 35,5% em relação ao mesmo período de 2011.
O Paraná exportou 4,44 milhões de toneladas de soja em grão entre janeiro e junho deste ano, o volume é 24% superior aos 3,57 milhões de toneladas comercializadas no primeiro semestre de 2011. A China permanece como principal importadora de soja nacional, sendo responsável por 72,9% das aquisições. Na sequência, os maiores mercados consumidores da soja brasileira são Espanha (6,8%) e Holanda (3,1%).



