Os bons preços da soja tanto no mercado interno quanto no externo não devem resultar em muita rentabilidade para os produtores. A avaliação é do economista Flávio Turra, gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). Isso porque uma parcela dos agricultores optou pela venda antecipada, antes mesmo do plantio, quando o preço médio da saca da soja estava cotada a US$ 17,00.

''A maioria dos produtores antecipou a venda para ter como comprar insumos no plantio da safra'', justifica Turra. Os maiores registros de contratos futuros ocorreram no Centro-Oeste do País, onde 67% dos produtores optaram por essa forma de comercialização. No Paraná, esse índice de venda ficou em 25% dos contratos. ''Havia produtores descapitalizados e ainda pessoas sem acesso a créditos bancários devido a dívidas anteriores'', explica o gerente da Ocepar.

Outro fator que deverá influir na liquidez do sojicultor é a elevação nos preços dos insumos, especialmente os fertilizantes. ''O Brasil tem uma dependência cada vez maior da importação de matéria-prima para a elaboração das formulações de adubo'', diz. No caso da soja, os fertilizantes exigem importação de fósforo e potássio. Para o milho há também a importação do nitrogênio, o que encarece ainda mais o produto.

Um estudo divulgado esta semana pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz (Esalq), de Piracicaba (SP), aponta que os gastos com adubo na próxima safra podem representar até 47% dos custos de produção dos agricultores de Mato Grosso, superando a média de 30% a 40% nos ciclos anteriores.

No Paraná, segundo o pesquisador Mauro Osaki, os números devem se fechar na próxima semana e não devem ser muito diferentes desse índice. ''Os cálculos que temos até agora mostram elevação considerável nos custos desses produtos também para os estados do Sul. Os insumos têm sempre preços parecidos em todo o país'', explica.

Segundo o estudo, na safra 2008/2009 serão necessárias 30,6 sacas de soja para comprar uma tonelada de fertilizante. O número está muito próximo dos níveis registrados na safra 2004/2005, quando a compra da tonelada de adubo exigia 32 sacas de soja.

Outros produtos cujos preços devem influenciar nos custos de produção são os herbicidas à base do glifosato. ''A soja convencional sai em vantagem por permitir outra opções de produtos para o controle de plantas de folha larga'', afirma Osaki. Ele cita os produtos a base de lactofen e clorimurum - também eficientes no controle desse tipo de erva daninha - que registram quedas significativas de preços desde 2004. ''Em áreas de menor infestação de plantas daninhas é melhor optar por plantios mistos (convencional e transgênico) para não ficar na dependência de um só produto, mais caro no mercado'' orienta.

O preço da soja esta semana teve uma nova alta. Segundo o técnico Otmar Hubner, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), a média de preços foi de R$ 43,00/saca. Na semana passada ficou em R$ 41,00.

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