Software auxilia na estratégia e gestão da propriedade
Trabalhar com floresta e o mercado madeireiro é complexo e exige estratégia do produtor ao longo dos anos. Diferentemente das culturas agrícolas "comuns" - como é o caso dos grãos e cereais - a floresta conta com intervenções no campo ao longo do ciclo, o que faz toda a diferença no dia a dia de trabalho.
Para o pesquisador da Embrapa Florestas Edilson Batista de Oliveira, o produtor florestal precisa colocar na balança diferentes fatores, entre eles, a análise de mercado, antes de fazer o desbaste das árvores.
"O uso da madeira é bem diversificado no Estado, além de regionalizado, com o produto sendo utilizado para diferentes finalidades dependendo do local. O agricultor precisa analisar sua região, ver a demanda dela, para saber se compensa fazer o desbaste e aguardar mais alguns anos para a venda, ou comercializar rapidamente no mercado de energia ou papel e celulose", explica.
Com o objetivo de facilitar as projeções de futuro acerca da cultura e quais as melhores formas de capitalizar com florestas, a Embrapa desenvolveu programas de computador que dão suporte à otimização da produção e renda de plantações de eucalipto, pinus, acácia-negra, araucária, bracatinga e teca.
Os softwares dão suporte às atividades de manejo, desenvolvendo a definição de idades, tipos e intensidade de desbastes de árvores e indicação da idade ideal da colheita final. Eles descrevem como a floresta da espécie envolvida cresce e produz, conforme as opções de manejo que o usuário indica.
É possível simular desbastes de florestas com previsão do crescimento e produção anual do povoamento florestal, o sortimento da madeira por classe diamétrica para múltiplos usos das árvores colhidas nos desbastes e no corte final. O programa calcula ainda o volume na idade atual da floresta e faz previsões para idades futuras, para madeira dos desbastes e corte final, seja qual for o manejo empregado. Estes cálculos utilizam equações de volume e de sortimento que estão disponíveis na base de dados do software ou que o próprio usuário pode inserir.
"Hoje, dos pequenos produtores até grandes empresas, utilizam nossos programas para melhorar a gestão das florestas. É muito importante porque quando se vai a campo executar alguma intervenção nas árvores, como é o caso do desbaste, já é possível saber qual será o resultado final", explica o pesquisador. "Para ter acesso aos programas, basta o produtor entrar em contato com a Embrapa Florestas, localizada na cidade de Colombo."
Por fim, Oliveira comenta que, além do manejo ao longo dos anos, um dos principais entraves da cultura - quando o agricultor peca mais - é o início do trabalho, na implantação inadequada da floresta. "O uso de mudas inadequadas, sem material genético apropriado, traz um reflexo na produção como um todo, provocando perdas no início e que seguirão ao longo do ciclo da cultura", complementa ele. (V.L.)





