Sociedade Rural teme prejuízos ao produtor
O presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Moacir Sgarioni, foi quem mostrou maior preocupação com a chance de o Paraná se tornar área livre de febre aftosa sem vacinação, no debate promovido pela FOLHA. Apesar de considerar o fim da imunização um avanço, ele explicou que os produtores de bovinos temem prejuízos comerciais ou mesmo a inviabilização da cultura no Estado.
"Não consigo entender, como leigo, por que não fazer um bloco com São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais, que há mais de 20 anos não têm aftosa. Por que a União não nos ajuda a fazer com que se engajem junto ao Paraná?", questionou.
Isso porque muitos produtores paranaenses mantêm fazendas de gado em outros estados, que são transportados ao Paraná para venda ou para fazer a integração entre lavoura e pecuária, disse. "Aprendi que onde se produz grãos, a pecuária de corte não consegue competir. Manter matrizes no Paraná é inviável comercialmente e não vamos ter quantidade suficiente nunca para exportar."
No estudo apresentado, ele apontou que o Estado é o maior em produção de aves, o terceiro em suínos, o terceiro em leite e o nono em bovinos de corte. "Não somos autossuficientes para consumo interno (de bovinos) e nossa exportação está em 1,8%."
Ainda, ele apresentou preocupação que o fim da vacinação possa gerar uma epidemia a partir do primeiro caso da doença. "Recebemos dois pecuaristas argentinos na ExpoLondrina que disseram que o país parou de vacinar em 1999 e em seguida apareceu um foco. O preço interno e externo deles caiu muito e ficaram sem exportar até 2005", disse.
Para ele, a experiência de Santa Catarina mostrou que os ganhos não são tão grandes. "China, Japão e Estados Unidos absorvem apenas 3% das exportações de Santa Catarina e os preços pagos aos exportadores é apenas 5% maior do que aos paranaenses." (F.G.)





