Sobrevivente da geração BHC
''Só o fato de não ter que mexer com veneno já compensa o trabalho'', sintetiza o produtor Genzo Hama, que se classifica como integrante da geração BHC, das culturas de café e algodão. Ele admite que sofreu pelo menos três sérias intoxicações por veneno e, mesmo depois de passar a aplicação para os empregados ainda ''sentia os efeitos dos agrotóxicos no corpo'', pois tinha que ficar por perto acompanhando o serviço.
Hama está trabalhando com agricultura orgânica há sete anos, e cuida da propriedade de 20 alqueires em conjunto com três irmãos. A produção é coordenada para que se tenha o que colher o ano todo. Na linha de diversificação de culturas ele trabalha com banana maça, noz pecã, quatro variedades de citrus, uva niagara, goiaba e manga. ''Temos uma receita semanal'', revela, isso lhes garante manter um médio padrão de vida.
''Eu acreditei na técnica e ela me garantiu uma transformação interior, um respeito à natureza, respeito comigo mesmo e com os outros''. Apontado como ''filósofo'' pelos técnicos da Emater que acompanham a propriedade, Hama completa sua explicação com uma afirmação, no mínimo, poética, mas que convida a uma reflexão. ''Como você vai dizer para o seu filho que o ama, se você deixa a terra e o ar poluídos e a água envenenada? A terra não nos pertence, somos meros administradores. Estou fazendo a minha parte na despoluição do ambiente. O agricultor evolui através disso''.





