Sobra leite no Brasil
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de novembro de 2005
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
O brasileiro consome pouco leite, de acordo com avaliação de Paulo Portilho, presidente da Láctea Brasil - organização não-governamental que estimula a produção e o consumo de leite no Brasil. O consumo per capita de leite no País, justifica Portilho, é de cerca de 130 litros (l) por ano, número bastante distante dos 175 l/habitante/ano recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Na Argentina, por exemplo, o consumo supera o preconizado, girando em torno de 220 l/habitante/ano.
Segundo Portilho, os brasileiros bebem somente 32 litros de leite fluído/ano contra 70 litros de refrigerante e 52 litros de cerveja. Para ele, o baixo consumo de leite não pode ser creditado simplesmente à renda dos brasileiros. Um litro de leite custa menos do que um litro de refrigerante ou uma garrafa de cerveja e mesmo assim não é a bebida mais consumida pelo brasileiro, argumenta.
Já a engenheira agrônoma Maria Sílvia Digiovani, do departamento técnico e econômico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), acredita que o principal entrave para o consumo seja a baixa renda do consumidor. Partindo desse pressuposto, não vê como positivas as perspectivas para o setor. Um estudo realizado pela federação apontou que dentro de dez anos irá sobrar muito mais leite do que já vem sobrando hoje em dia no mercado brasileiro. O único jeito de absorver a produção nacional, comenta Maria Sílvia, é exportar e, para isso, precisamos investir em qualidade, pois o mercado externo é bastante exigente.
O grande desafio da cadeia, complementa Portilho, é conscientizar o consumidor sobre a importância do leite para a saúde humana. Hoje, nosso consumo de leite e lácteos per capita é insuficiente para garantir a saúde de jovens e o controle da osteoporose em idosos, alerta.
Para estimular o consumo, o presidente da Láctea Brasil sugere o marketing institucional. Ele ressalta o caso dos Estados Unidos, onde o consumo de lácteos beira 260 litros/habitante/ano. Isso só ocorreu porque a cadeia produtiva percebeu que só iria se fortalecer investindo em qualidade e na valorização do produto junto aos consumidores, declara. De lá vem o maior exemplo de marketing institucional de lácteos do mundo, que hoje se volta tanto à criança quanto ao adulto e ao idoso, completa Portilho.


