Sobra dinheiro para o sistema Cresol
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de outubro de 2006
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Eliel dos Santos Silva ou Eliel Verdureiro, como é chamado pelos amigos, cultiva seis hectares com olericultura na propriedade familiar no Patrinônio Selva, Zona Sul de Londrina. Desde que abriu uma conta na unidade londrinense da Cooperativa de Crédito Rural com Interação Solidária (Cresol), já conseguiu trocar os pneus do trator, construir um reservatório de água com capacidade para 1 milhão de litros, renovar a estrutura da estufa e comprar uma caminhonete para realizar as entregas de mercadorias nas Centrais de Abastecimento (Ceasa).
''Tudo o que eu ganho eu reinvisto na atividade agrícola para crescer ainda mais, por isso não sinto tanto a crise'', garante o olericultor, que aplica parte dos lucros na Cresol. A vantagem de se associar a outros produtores por meio da cooperativa de crédito solidário, explica, está na simplicidade em obter os recursos.
''Pelo banco é muita burocracia, é preciso que o fiador tenha mais de uma propriedade, o que dificulta a obtenção do crédito'', diz. No caso da cooperativa, ''um produtor assina para o outro e o dinheiro vem mais rápido''. Incentivador do sistema, o produtor já convenceu diversos companheiros a participar da cooperativa londrinense, que cresceu de 150 para quase 250 associados em um ano.
Eliel cultiva 26 variedades de verduras e legumes, mas o carro-chefe é repolho e alface. Há 15 anos na profissão, o verdureiro conta com o auxílio da esposa e mais quatro funcionários na condução da lavoura, totalmente irrigada.
Com os cerca de R$ 15 mil obtidos em empréstimos pela cooperativa, Eliel melhorou as condições de trabalho no sítio. ''Faço análise de solo, tenho irrigação e fiz um reservatório de água pensando no verão. Planejar é o segredo do sucesso'', ensina. Mas sem dinheiro, ''produtor não cresce, desanima'', completa.
O presidente da Cresol de Londrina, José Rosa, também é produtor rural e cultiva batata doce, abobrinha, mandioca, entre outros itens, na propriedade familiar na Usina Três Bocas, Zona Sul de Londrina. Dos 18 alqueires, apenas três são próprios, o restante é arrendado.
Por falta de tempo, já que está sempre viajando em busca de recursos para a cooperativa, Rosa deixou a condução do sítio a cargo do filho e funcionários.
Tradicional na produção de hortifruti, Rosa abandonou os legumes e verduras para investir no bom momento da soja, anos atrás. Quebrou e conta que só conseguiu se recuperar depois de participar da Cresol.
''Até pensei em parar, mas já equilibrei as contas. Com os recursos obtidos por meio da cooperativa comprei um trator e voltei a plantar batata doce e mandioca. Tive uma boa colheita e vou plantar de novo'', confessa.
Antes, a burocracia dos bancos impedia o produtor de conseguir crédito do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf). ''Quando a gente se associa à cooperativa, descobre que os recursos não têm limite. O que precisar de dinheiro o governo libera'', atesta. ''Mas tem que ser legalizado para dar certo'', avisa.


