Sobra dianteiro no mercado
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sábado, 20 de dezembro de 2008
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
A diferença de preço entre os cortes dianteiro e traseiro, que nas últimas semanas alcançou níveis inéditos - mais de 84% - deve diminuir em breve. A expectativa é de que os efeitos da retração no mercado russo, um dos maiores compradores do dianteiro produzido no Brasil, poderão ser minimizados com a abertura do Chile. O país volta a comprar do Brasil após um embargo em função de casos de febre aftosa no Mato Grosso.
Segundo Alcides de Moura Torres Júnior, analista da Scot Consultoria, de Bebedouro (SP), os chilenos poderão comprar também cortes dianteiros, diminuindo o excedente do produto. O Chile é um mercado importante e a expectativa é de que o país importe cerca de 100 mil toneladas, o equivalente a um terço do que a Rússia normalmente compra do Brasil.
''O Chile hoje é um entreposto de carne na América Latina'', avalia o analista. Segundo ele, o país atualmente compra da Argentina, Uruguai, Bolívia e agora do Brasil. ''O governo chileno é mais pragmático que o brasileiro e tem mais de 50 acordos bilaterais de comércio. O Brasil tem apenas dois'', afirma.
A diferença entre o preço do dianteiro e do traseiro foi provocada pela retração do mercado russo, que por causa da crise internacional e da falta de crédito, deixou de comprar o produto brasileiro - os cortes dianteiros, que são a preferência do consumidor da Rússia. Segundo Torres, a Rússia compra 30% dos dois milhões de toneladas que o Brasil vende no exterior.
Com o excedente do dianteiro no mercado interno, a diferença entre os dois tipos de corte chegou a níveis inéditos e ultrapassou a barreira dos 84%. Na semana passada, o traseiro 1/1 (que é o valor pago quando as peças são compradas juntas) estava em R$ 6,70 o quilo e o dianteiro, R$ 3,50. No avulso, a diferença foi um pouco maior: o traseiro ficou em R$ 6,80 e o dianteiro, R$ 3,40.


