Sob o efeito da desaceleração econômica
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sábado, 20 de dezembro de 2014
Ricardo Maia Reportagem Local 
O ano de 2014 se encerra como um dos piores da última década em relação ao desempenho da economia brasileira, com previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de apenas 0,16%, segundo estimativa do último Boletim Focus divulgado pelo Banco Central. O agronegócio, por sua vez, foi um dos únicos setores a registrar crescimento neste ano. Um levantamento realizado por pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior Luiz de Queiroz (Esalq), aponta que o agronegócio deve fechar 2014 com um crescimento de 2,6%. Já para 2015, a projeção é de ligeira alta de dois pontos percentuais para 2,8%, período que, segundo analistas, deve sofrer impacto do mau desempenho da economia em 2014.
De acordo com o coordenador do estudo, o professor Geraldo Barros, para conquistar esse patamar, o agronegócio terá que continuar explorando sua produtividade sem depender dos impulsos da demanda tanto no mercado interno quanto no externo. Barros afirma que, com a expectativa de baixo crescimento da economia em 2015, que deve girar em torno de 1%, o agronegócio vai encontrar no próximo ano um mercado estagnado ou com fraca expansão. Segundo ele, não haverá perdas, mas o produtor também não terá grandes ganhos. No relatório, Barros menciona que a produção agrícola brasileira tem crescido em torno de 4% ao ano, o que ajudou a manter o agronegócio em destaque na economia.
GRÃOS
A soja foi e continuará sendo o carro-chefe do agronegócio, segundo a pesquisa do Cepea. A oleaginosa deve registrar um pequeno aumento tanto em área, quanto em produtividade. A safra brasileira 2014/15 do grão, segundo a Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), está estimada em 95 milhões de toneladas, contra 86 milhões de toneladas referentes ao ciclo anterior. Pedro Loyola, economista da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), aponta que foi a soja quem "pagou" as contas da economia brasileira em 2014.
Dados do Ministério da Agricultura apontam que o Valor Bruto de Produção (VBP) da soja deve fechar 2014 em R$ 84.213 milhões. Para 2015 o VBP da oleaginosa está estimado em R$ 85.976 milhões.
Loyola afirma que a cultura ganhou muito espaço neste ano no mercado internacional devido a uma queda na safra dos Estados Unidos. No período 2014/15 os americanos devem colher uma boa safra, o que poderá comprometer as exportações brasileiras e, consequentemente, a receita do agronegócio. De acordo com o levantamento do Cepea, no início de dezembro foi apontado negócios para a exportação da oleaginosa acima de US$ 23 a saca, saindo do Porto de Paranaguá para todo o primeiro semestre de 2015, um dos menores valores já registrados desde 2010.
Loyola explica que, além da perspectiva de alta nos estoques internacionais, o movimento negativo dos preços da commodity em relação às últimas três safras, pode trazer resultados não tão animadores para o setor. "2015 vai ser um ano apertado, por isso, o produtor terá que pensar bem antes de fazer qualquer tipo de investimento", destaca o economista da Faep.
Ele afirma que, até a safra 2015/16, a tarefa do setor é arrumar a casa. Para a cadeia produtiva do milho, a tendência, segundo o Cepea é a redução na área cultivada na primeira safra em detrimento da soja. Mesmo com a redução de área no primeiro ciclo, os estoques estão cheios. Isso quer dizer que os preços continuarão baixos em 2015. No Paraná, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o preço médio da saca em novembro fechou a R$ 58,27, ante R$ 66,07/sc registrado no mesmo período do ano passado. Dados da Conab apontam que, no final de janeiro de 2015, haverá estoques na casa de 15,3 milhões de toneladas, o que equivaleria a 48% do que foi colhido na safra verão 2013/14.
Se somadas a primeira e a segunda safra do ciclo 2014/15, o Brasil deve produzir mais de 78 milhões de toneladas de milho, contra 79 milhões de toneladas referente aos dois períodos da safra 2013/14.
Segundo analistas do Cepea, os estoques altos não devem fazer com que os preços se recuperem. No caso dos produtores de trigo e de feijão, Loyola afirma que a situação está mais complicada ainda em relação aos baixos preços. "Os moinhos de trigo pararam de comprar; só de junho a agosto, os preços da saca caíram 20%, tornando a cultura de alto risco", lamenta o economista da Faep. O mesmo, segundo Loyola, aconteceu com o feijão, que também registrou queda nos preços.


