O ministro da Agricultura, Francisco Turra, destacou quinta-feira, 8, falando na abertura da 39ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, a necessidade de se transformar o agronegócio em uma atividade segura e lucrativa, geradora de mais postos de trabalho.
Para estimular o setor, hoje já o maior empregador de mão-de-obra do País (33 milhões de empregos, segundo o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Francisco Galli), o Ministro propõe: mudança na política de crédito, seguro agrícola e uma política agrícola - não mais apenas planos de safra como tem acontecido.
Evolução‘‘Produzir é importante, sim, mas não é suficiente, se nós exportarmos os empregos. Nós temos que criar a visão do agronegócio, para produzir, gerar, transformar, até a produção chegar à mesa do consumidor’’, disse Turra, acrescentando que se deseja agregar valor à produção, ‘‘para que o trabalhador tenha condições de produzir, gerar, transformar os produtos. É isso o que nós queremos fazer; gerar valor, fazer com que o trabalhador tenha oportunidades e que a renda chegue ao produtor rural’’.
Turra observou que, apesar de tudo - da crise, de fenômenos externos, das dificuldades de crédito, do endividamento-, os agricultores brasileiros acabam de concluir a maior safra já colhida no País. ‘‘A safra que agora está sendo colhida é a maior de todos os tempos’’, destacou, ressalvando não se tratar de uma supersafra. ‘‘Mas é uma safra que pelo menos nos oferece as condições para sabermos que estamos evoluindo’’.
A evolução é confirmada pela superação da safra de 76 milhões de toneladas do ano passado, por esta de 84 milhões de toneladas. Para continuar, aumentando a produção e como passo seguinte chegar aos 90 milhões de toneladas desejadas pelo Governo para o ano 2.000, o Ministro salienta que é preciso trabalhar para reduzir o ‘‘Custo Brasil’’, resolver problemas pendentes de crédito, ‘‘para dar tranquilidade a quem quer produzir...’’
Tranquilidade para produzir é um desejo antigo dos agropecuaristas brasileiros. Turra lembrou-se de uma frase que, para ele, disse, é emblemática: ‘‘O país que tem a agricultura forte, é país que enfrenta qualquer crise.’’
O Ministro procurou também apoio para seu próprio campo: ele gostaria que ao Ministério da Agricultura fossem acrescentados os termos Pecuária e Pesca, ‘‘a exemplo dos outros países do Mercosul.’’
Defesa, crédito, seguroMais tarde, durante entrevista à imprensa, Francisco Turra anunciou que ainda quinta-feira à noite viajaria aos Estados Unidos, para assinar convênio com o BIRD (Banco Mundial), destinado a defesa animal e vegetal. ‘‘Esse projeto - explicou - destina-se a melhorar a defesa sanitária agropecuária e das pastagens em particular. É um projeto que envolve U$200 milhões, com uma contrapartida brasileira.
Crédito, SeguroDois instrumentos de fomento à agropecuária, anunciados em Londrina pelo ministro da Agricultura, são o novo programa de crédito, e o seguro agrícola. No primeiro caso, do crédito, a idéia é a ‘‘democratização’’ do sistema, de modo que as cooperativas de crédito tenham acesso a ele; eliminar a burocracia, através de um cartão que dará ao agricultor crédito automático - ‘‘e não precise enfrentar a burocracia que todo ano o obriga a fazer uma papelada, passar por inúmeras dificuldades a um custo elevado’’.
‘‘Já falei com os presidentes do Banco Central, Banco do Brasil, e não posso projetar a vocês que isso aconteça num determinado dia. Mas é preciso fazê-lo, porque é insuportável para o Ministro, para os produtores, continuar a burocracia. Esta é a erva daninha mais nociva no campo da agricultura brasileira.’’ Para controlar essa ‘‘erva daninha’’, já foi tomada a primeira providência: o ministro da Agriculura entregou semana passada, ao presidente do Banco Central, Armínio Fraga, ofício solicitando relatório mensal sobre o fluxo de crédito rural. A meta é colocar as alterações em prática para a safra 1999/2000. Para a safra 98/99 estão previstos R$10 bilhões, para custeio e comercialização.
Para o seguro agrícola o Ministro faz projeções. O grupo de trabalho, criado para elaborar o plano agrícola deste ano, esboçou o seguro. ‘‘Agora, através de portaria interministerial, nós poderemos implementar, para que o seguro comece este ano, aos poucos, e envolva mais culturas e Estados no ano que vem.
Turra não detalhou quais culturas e Estados serão cobertos já a partir de 1999, porque depende das seguradoras que partiparão. Ele afirmou, porém, que essas seguradoras devem estar cientes de que precisarão atender culturas diversas e todas as regiões do País, e não apenas as áreas que representam pouco risco de perda nas lavouras por fenômenos meteorológicos.
PrioridadeNeste momento a prioridade, disse Turra, é o apoio à comercialização. Na visão das autoridades a safra foi boa, mas não é para o agricultor vender ao preço mínimo. ‘‘É para que ele possa vender com possibilidade de renda, com instrumentos modernos - EGF, CPR (Cédula de Produto Rural) e AGF, porque há um diferencial da safra deste ano e as demais: os estoques públicos estão baixos. São apenas 1,4 milhão de toneladas, basicamente milho’’.
Portanto, continuou Turra, o produtor do Paraná tem que investir na safrinha (de milho) e no trigo também, a despeito do preço mínimo não ser considerado satisfatório. ‘‘Esqueçam o preço mínimo. Pensem no preço de mercado’’, recomendou o Ministro, afirmando que a oportunidade ‘‘é boa’’. Por outro lado, o Ministério está concluindo o projeto Volta ao Campo, para reabrir propriedades, ‘‘para que o pequeno produtor que um dia saiu, procurou emprego na cidade e não encontrou, seja, com projetos de agroindústria, estimulado a voltar.’’

mockup