Imagem ilustrativa da imagem ‘Só no campo serei meu próprio chefe’
| Foto: Celso Pacheco
"Me espelho no meu pai e, sem fazer loucuras, com os pés no chão, temos um padrão de vida muito bom hoje"



Se o agronegócio é que tem sustentado, com braços fortes, a economia brasileira nos últimos anos, não há dúvidas que é preciso fortalecer essa "ginástica" para o futuro. O jovem produtor, da nova geração - que chega para a tão debatida e fundamental sucessão familiar no campo – precisa estar preparado para o que está por vir. Sem dúvida, se espelhar no que foi feito até o momento pelos pais e avós é fundamental para o sucesso da lavoura e, claro, promover mudanças fundamentais como a tecnificação e a gestão da propriedade.
Vinícius Munhoz Menotti, de 22 anos, está ciente dessa responsabilidade e não tem dúvidas de que a suas vidas pessoal e profissional estão diretamente ligadas aos 30 alqueires de sua família, localizados no município de Arapongas. É neste pedaço de terra que Odenir, seu avô falecido no ano passado, e o pai, Olair, que hoje ainda está à frente do negócio, onde o jovem produtor pretende permanecer nos próximos anos, seguindo sua árvore genealógica.
A família Menotti nunca deixou de buscar novas informações e alternativas para evoluir. Muitas das tecnologias aplicadas na produção de grãos vieram do trabalho de mais de uma década das Redes de Referências da Agricultura Familiar - uma ação feita em conjunto pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) -, que cria uma sinergia entre pesquisa, extensão rural e gera propriedades de referência. "Hoje, nós temos um controle muito maior de tudo que fazemos na propriedade. Sabemos exatamente quais tecnologias aplicar, como plantio direto e rotação de culturas no inverno, além da gestão financeira bem controlada", relata Vinícius.
Por não conseguir conciliar os horários para realizar uma faculdade de agronomia em Londrina, o rapaz acabou se formando em educação física numa universidade de Arapongas, apenas como "precaução de possuir um curso superior". Ele não tem dúvidas que o seu DNA está no campo, sendo que ajuda o pai na lavoura desde os 15 anos de idade. "Tenho duas irmãs mais velhas que decidiram trabalhar na cidade. Já meu desejo é ficar por aqui mesmo", salienta.
O rapaz explica que quando olha os amigos ao redor, a grande maioria já saiu ou planeja deixar a propriedade. Muitos, porém, não estão conseguindo pela dificuldade de encontrar emprego na cidade. "O que meu pai sempre ensinou é que temos que trabalhar para ser patrão, e só aqui no campo vou conseguir isso. A propriedade é nossa e temos diversas alternativas. Se os grãos não derem certo, por exemplo, partimos para outra atividade e vamos nos reinventando. O que vejo é que a agricultura continua firme no País, enquanto os outros setores estão patinando."
Vinícius, claro, tem os sonhos de todo o jovem. Quer ter um padrão de vida bacana, adquirir bens, viajar e casar. Para ele, a propriedade rural da família pode proporcionar tudo isso. "Me espelho no meu pai e, sem fazer loucuras, com os pés no chão, temos um padrão de vida muito bom hoje. Acredito que no futuro, se continuar me espelhando nele, os resultados serão excelentes. Tenho que correr atrás da informação e dos negócios. E claro, arrumar uma esposa que queira continuar comigo por aqui", brinca o rapaz.

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