Quem faz esta recomendação é o engenheiro-agrônomo paranaense, Polan Lacki, responsável pelo setor de Educação e Extensão Agrícola do Escritório Regional da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação) para a América Latina e o Caribe, sediado em Santiago do Chile.
Em trabalho intitulado ‘‘Rentabilidade na Agricultura: com mais subsídios ou com mais profissionalismo?’’ (leia Opinião, na página 2 desta edição), editado pela FAO, Polan Lacki, que trabalhou na Emater do Paraná, recomenda o bom preparo profissional do agricultor e de seus empregados, como meio de produzir mais e melhor e, desta forma, não ficar na dependência de subsídios ou de outras ações de política governamental. Os governos latino-americanos, em sua opinião, deveriam criar ‘‘modelos emancipadores’’ de dependências externas, usando para isto ‘‘instituições emancipadoras’’.
EmancipaçãoAs ‘‘instituições emancipadoras’’, públicas ou privadas, ‘‘que produzem e difundem conhecimentos’’, são as Faculdades e escolas agrotécnicas, órgãos de pesquisa e extensão rural e escolas rurais de 1º grau. O Estado, propõe o técnico da FAO, deveria dar a essas instituições maior apoio político e financeiro.
Para receber os auxílios, as instituições precisariam eliminar: eventuais superdimensionamentos, ociosidades, burocracias e despesas improdutivas. E se submeterem ‘‘a uma profunda reengenharia de eficiência, para que se tornem muito mais funcionais e demonstrem real capacidade de oferecer soluções concretas aos problemas dos agricultores’’.
As instituições assim comprometidas é que iriam atuar no aperfeiçoamento técnico do homem do campo; no seu profissionalismo eficiente. Elas fariam assim: proporcionariam às famílias rurais ‘‘os conhecimentos, as aptidões e as destrezas’’ e até estimulariam mudança de atitudes, ‘‘a fim de que ao desenvolver sua capacidade pessoal e comunitária, saibam, possam e queiram’’.
O trabalho transmitiria aos agricultores inovações tecnológicas, gerenciais e organizacionais ‘‘que contribuam para corrigir os gravíssimos erros e distorções que ocorrem nos distintos elos da cadeia agroalimentar, desde que o insumo sai da indústria até que o alimento chegue à casa do consumidor’’.
Os produtores deveriam ainda organizar-se em grupos, ‘‘para poder transformar-se em proprietários de certas etapas ou elos do agribusiness, encarregando-se de executar em forma grupal algumas atividades prévias à semeadura e posteriores à colheita, com a finalidade de evitar que continuem pagando preços desnecessariamente cada vez mais altos pelos insumos que compram e recebendo preços cada vez mais baixos pelos excedentes que vendem.’’
Na opinião de Polan Lacki, a ‘‘cada vez mais injusta’’ relação insumo/produto, ‘‘provocada em grande medida pela falta de organização empresarial dos produtores, aliada aos baixíssimos rendimentos das suas culturas e criações - provocados pela falta de tecnologia e de capacitação -, são indiscutivelmente as principais razões pelas quais eles não conseguem ganhar dinheiro fazendo agricultura.’’

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