Ailton Carneiro e o gestor de fruticultura da Emater, Elcio Rampazzo: controle biológico do ácaro rajado reduz em até 60% uso de agrotóxicos
Ailton Carneiro e o gestor de fruticultura da Emater, Elcio Rampazzo: controle biológico do ácaro rajado reduz em até 60% uso de agrotóxicos | Foto: Saulo Ohara



Se existe um produtor na região Norte do Paraná que é prova da eficiência e produtividade do morango semi-hidropônico, sem dúvida, é Ailton Carneiro, com a propriedade localizada bem em frente ao Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), em Londrina. Ele foi um dos que acreditaram na tecnologia quando trazida pela Emater e hoje, inclusive, já testa novas estratégias que estão melhorando ainda mais o manejo da atividade.

Em 2013, o precursor Ailton iniciou com 1.600 pés de morango no slab, plantou as diversas variedades, um teste para analisar qual se adaptaria melhor na sua área. Hoje, ele conta com 10 mil pés suspensos distribuídos por seis estufas, da cultivar chilena Camino Real. "Há mais de seis anos só pego mudas chilenas e acredito que a Camino Real é a melhor para o Norte do Paraná. Acredito que a produtividade este ano ultrapasse um quilo por pé", projeta Ailton.

Sempre participando de cursos e atento às inovações dos institutos de pesquisas, inclusive do Rio Grande do Sul, o produtor apostou em inverter alguns slabs, deixando as bolsas plásticas na vertical. "Desta forma, colocando o slab em pé, o sistema radicular da planta se desenvolve mais e, consequentemente, a parte aérea também. Com isso, conseguimos reduzir as plantas por metro linear, no caso do Ailton de dez para sete plantas por metro, e mantendo a mesma produtividade", compara o gestor estadual do Projeto Frutas da Emater, o engenheiro agrônomo Élcio Rampazzo. Hoje, das seis estufas do fruticultor, três estão com os slabs em pé na propriedade.

Além dessas mudanças importantes, o produtor também elenca alguns cuidados que são fundamentais para ter êxito com o morango semi-hidropônico. "No slab, sempre temos que ficar atento com o espaçamento entre as plantas, a adubação, o PH e a qualidade da água", salienta Carneiro



CONTROLE BIOLÓGICO
Mesmo com a expectativa de utilizar 60% a menos de agrotóxico com o morango suspenso - para uma fruta que é estigmatizada há anos pelo uso dos agrotóxicos - os cuidados não podem deixar de acontecer, principalmente com o Ácaro Rajado. "Uma das grandes vantagens desse sistema de plantio é tirar a planta do solo e evitar doenças. Por outro lado, ter um ambiente que não chove, seco, favorece o ataque de pragas como o ácaro rajado", explica Rampazzo.

Mais ao invés de utilizar um acaricida, a estratégia é apostar no controle biológico com o Neoseiulus californicus, um ácaro predador natural do ácaro rajado. "O mentrasto é uma planta que floresce o ano inteiro, fica em meio à produção dos morangos e traz para a área de cultivo o predador do ácaro, que se multiplica por meio dessas plantas". (V.L.)

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