Emílio Ito tem a maior área de café orgânico de Uraí. São 10,8 hectares plantados com as variedades Iapar 59, Tupi e Oboatã, as duas últimas desenvolvidas pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC). São todas cultivares resistentes à ferrugem uma preocupação a menos, já que por ser agricultor orgânico, Ito não poderia passar fungicida.
Suas técnicas alternativas de manejo são basicamente três: para evitar o ataque do bicho-mineiro, ele planta feijão-guandu entre as ruas de café, o que tem dado resultado; para controlar o mato, Ito passa uma pequena lâmina puxada por cavalo que retira as raízes e a ação mantém as ruas do cafezal limpas até a colheita. E para a adubar a terra, o produtor compra pronta uma compostagem feita de restos vegetais e esterco bovino e de frango de corte.
''A gente sabe que o orgânico dá mais mão-de-obra. Não se pode usar herbicida para controlar o mato. Então, no começo, para custear o gasto com a capina, eu plantava no meio das ruas feijão, milho e mucuna. Qualquer coisa que der para produzir um pouco a gente planta no meio'', diz Emílio. Seu cafezal tem um pequeno sombreamento, feito pelo feijão guandu e por grevilhas plantadas num espaçamento de 14 metros uma da outra conforme preconiza o Iapar para evitar que o excesso de sombra comprometa a produtividade. As grevilhas também têm a função de servir como quebra-vento.
A produção do sítio começou tímida, com apenas 42 sacas beneficiadas na primeira safra, em 2003, que teve carga pequena. No ano passado, apesar da seca, Emílio Ito já colheu 27 sacas por hectare um total de 224 sacas. E a produção ele irá comercializar só agora, quando deve chegar o seu selo de certiticação do IBD. O preço é animador: US$ 150 ou R$ 400 a saca, contra R$ 250 da saca do café convencional. (J.K.)

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