Sistema requer harmonia entre atividades
O artigo 3°, inciso VIII da Lei 12.805, estipula que "devem ser adotadas mudanças de uso das terras de pastagens convencionais em pastagens arborizadas para a produção pecuária em condições ambientalmente adequadas, a fim de proporcionar aumento da produtividade pelas melhorias de conforto e bem-estar animal". De acordo com Dante Pazzanese, pecuarista e professor da Escola Superior Luiz de Queiroz (Esalq/USP), a integração gera benefícios para todas as cadeias produtivas.
O especialista explica que o plantio de pasto no inverno é mais vantajoso do que o cultivo de milho. Segundo Pazzanese, plantar pasto protege e retém matéria orgânica do solo. "Com isso, são gerados benefícios para a próxima safra depois do pastejo", completa o professor. No caso da integração pecuária com floresta, ele explica que, após cinco meses do plantio da árvores no pasto, já é possível colocar os animais na área.
"Com esse sistema, é resolvido um problema antigo dos pecuaristas: a falta de plantas forrageiras para alimentar o gado durante o inverno", salienta o professor. Segundo ele, de outubro a março, 80% da produção forrageira é retirada das pastagens. Pazzanese completa que, com a integração, o produtor pode ter alimento o ano todo para os animais. Já no verão, observa o especialista, o cultivo de grãos continua sendo mais lucrativo.
Benefícios
Segundo Alvadi Antonio Balbinot, pesquisador da Embrapa Soja, quando aplicada de forma adequada, a integração gera ganhos para todas as atividades envolvidas. "O desafio é ter um sistema adequado de produção para cada propriedade", salienta o especialista. Ele exemplifica que, no início do processo, o produtor pode plantar grãos e, só depois de dois anos, é possível colocar animais nessa área para pastarem.
Balbinot destaca que, em longo prazo, o sistema reduz a erosão e aumenta a fertilidade do solo. O pesquisador alerta que o maior desafio da integração Lavoura-Pecuária-Floresta é a necessidade de mais pesquisas, porque o sistema é muito complexo. Segundo ele, ainda existem muitas dúvidas a respeito da integração. O especialista alerta que são necessários, por exemplo, mais estudos relacionados às espécies de árvores e capim que podem ser plantados, a área onde deve ser implantada, entre outras dúvidas. "O produtor necessita ser bom nas três atividades se quiser ter bons resultados", finaliza Balbinot. (R.M.)





