Sistema permite gerenciar todo manejo
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sexta-feira, 26 de abril de 2002
Cláudia BarberatoEquipe da Folha 
São Paulo Três grandes propriedades brasileiras estão servindo de projeto piloto para um sistema de identificação de animais e a rastreabilidade bovina: a Agropecuária Nova Vida, de Ariquemes (RO); a Fazenda Mariópolis, de Itapira (SP) e a Fazenda Paredão, de Oriente (SP). O sistema foi lançado na semana passada, em São Paulo, pelo Grupo Allflex. A empresa trabalha com identificação de bovinos, por meio de brincos, e lançou o projeto em conjunto com a FarmExpress, que desenvolve programas de coletas de dados para rastreabilidade de animais em vários países do mundo. Esses programas servem também para a gestão, ou seja, a administração e manejo da propriedade.
Como funciona
A FarmExpress desenvolveu um sistema de coleta e transmissão automatizada de todas as informações sobre os animais: do nascimento ao abate. Esses equipamentos chamados de Romeu e Julieta são dois computadores portáteis que exercem as funções de coleta automática de dados, transmissão via internet dessas informações da fazenda para o banco de dados central e consulta a campo desses dados, que podem ajudar na tomada de decisões dentro das propriedades.
O primeiro passo para o funcionamento do sistema é a colocação de brincos nos animais. Nesse caso é recomendado o uso de identificação dupla: brinco visual/eletrônico. O coletor de dados (o computador portátil Romeu) recupera a identificação do animal, automaticamente com o microchip, ou manualmente com o brinco visual com códigos de barra, e associa informações tais como pesagens, vacinas, alimentação, entre outras, .
Os dados coletados no Romeu, a campo, são transferidos para o equipamento chamado Julieta, que pode ficar na sede da fazenda, de onde serão enviados via internet para um banco de dados central. As informações armazenadas poderão ser consultadas por pessoas envolvidas na cadeia produtiva da carne por meio de uma senha de acesso ao banco de dados.
A leitura dos dados também pode ser feita por um aparelho chamado de bastão, com uma antena fixa que transfere os dados do chip no brinco colocado na orelha do animal para a base de dados chamada Julieta.
Menos erros
O sistema, segundo o diretor da Allflex Vicent Lhenaff, por ser informatizado, sem a necessidade de anotações manuais, elimina totalmente a chance de erros ou duplicações nas informações coletadas a campo. Além disso, funciona como ferramenta para fornecer uma informação rápida e segura para o manejo diário da fazenda, permitindo melhorar a produtividade, objetivo número um do pecuarista profissional.
Quanto custa
A identificação eletrônica, com brincos, tem um custo de US$ 2,50 por animal e o conjunto de computadores (Romeu e Julieta) sai por US$ 2 mil. Segundo os fabricantes dependendo do tamanho dos projetos, ou seja, do número de animais brincados, os custos podem ser parcelados.
Segundo a pecuarista Maria Lúcia de Abreu Pereira, proprietária da Fazenda Mariópolis, o uso desse processo não deverá implicar em maior custo ao produto final, a carne. Para Maria Lúcia a implantação representa um investimento. O custo-benefício é englobado ao orçamento de toda a propriedade ao longo do tempo.
A jornalista viajou a convite da Allflex/FarmExpress.


