Sistema nasceu com os imigrantes
Cláudia Barberato
Um dos primeiros movimentos marcados pela cooperação surgiu em 1829, com a chegada do primeiro grupo de 248 imigrantes alemães que fundaram a Colônia Rio Negro, hoje município. Diversos movimentos embasados no espírito da cooperação surgiram até 1911, entre alguns dos mais de 100 grupos de imigrantes que chegaram ao Brasil.
O mais importante movimento pré-cooperativista, segundo dados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), ocorreu entre os franceses que, em 1847, fundaram a Colônia Thereza Cristina, hoje município de Cândido de Abreu, nas margens do Rio Ivaí.
Movimentos de cooperaçãoOs imigrantes liderados por Jean Maurice Faivre, desencadearam um movimento cooperativista sob inspiração do médico Benoit Joseph Mure, fundador da Vila da Glória, em Santa Catarina.
Entre as experiências mais importantes realizadas no terreno cooperativo destaca-se também a da Colônia Cecília, em 1890, no município de Palmeira, no Paraná, idealizada pelo agrônomo Giovanni Rossi, líder do grupo de italianos chamados de anarquistas.
Seguiram-se vários outros movimentos de cooperação. No histórico da OCB estão registrados: a fundação, em 1906, da Associação Beneficiente 26 de Outubro, por ferroviários de Ponta Grossa. A associação transformou-se em Cooperativa Mista 26 de Outubro, mais tarde; em 1909, indústrias madeireiras se reuniram e fundaram a Cooperativa Florestal Paranaense; a fundação da Colônia Muricy, com a constituição em 1912, da Sociedade Agrícola Polonesa, transformada em Cooperativa Mista Agropecuária São José Ltda, em 1945.
A número 1Sob a liderança do ferroviário ucraniano Valentin Cuts, surgiram outros movimentos cooperativistas, como a Sociedade Cooperativa Svitlo (luz) em Carazinho, União da Vitória, em janeiro de 1920, e a Cooperativa Agrária de Consumo de Responsabilidade Ltda, Liberdade, em Vera Guarani, município de Paulo Frontin, surgida no ano de 1930, que foi a primeira cooperativa registrada conforme o Decreto-Lei 581/38, tendo o registro sido feito no dia 19 de maio de 1942, recebendo o nº 1.
Está registrada também uma experiência realizada no lugar chamado SantAna, atual município de Cruz Machado, com a criação, em 3 de maio de 1920, da Sociedade Cooperativa de Comércio União Lavoura, pelo padre Teodoro Drapienski, com cunho político confessional.
Boas experiênciasA chegada em Carambeí, no ano de 1911, de 450 holandeses, resultou no que é hoje uma das mais prósperas colônias de imigrantes. Eles constituíram em 1925 a Sociedade Cooperativa Hollandeza de Laticínios Batavo.
Esses movimentos entre imigrantes deram significativo impulso ao cooperativismo estadual, com as experiências bem sucedidas das cooperativas de colonização, como Witmarsum, de Palmeira; Agrária, de Entre Rios; Batavo e Castrolanda, de Castro; e Capal, de Arapoti.
Mate e caféO movimento cresceu, a partir da década de 20, entre madeireiros e ervateiros. Entre os anos 30 e 40, o Paraná contou com 40 cooperativas de mate, unidas em torno da Federação das Cooperativas de Mate Ltda - Agromate, que marcou história até o declínio do setor ervateiro, quando se transformou em Rural Sul, para tentar sobreviver através da diversificação de atividades.
Um dos momentos marcantes do cooperativismo ocorreu na década de 60, quando o IBC incentivou a criação das cooperativas de cafeicultores, como forma de superar dificuldades do setor. Em 1964 o Paraná tinha 33 cooperativas de café, algumas das quais desapareceram por causa do declínio da produção.
Em 1969 o movimento cooperativista paranaense ganhou proporções, com o início das discussões para a implantação dos projetos de integração, desenvolvidos conjuntamente pela Acarpa, DAC e Incra, com o apoio do Banco do Brasil, BRDE, BNCC e CFP.
O objetivo dos projetos foi rediscutir a forma de atuação das cooperativas, pois alguns municípios tinham mais de uma cooperativa operando em concorrência, o que as enfraquecia, enquanto outros municípios não tinham nenhuma.
Os projetos foram desenvolvidos em três etapas, abrangendo regiões diferentes. O Projeto Iguaçu de Cooperativismo - PIC, criado em 1971, contemplou a reorganização do sistema no Oeste e Sudoeste do Paraná. O Projeto Norte de Cooperativismo - Norcoop, implantado em 1974, para reorganização das cooperativas da região Norte do Estado, e o Projeto Sul de Cooperativismo - Sulcoop, iniciado em 1976, reorganizou as cooperativas do Centro-Sul do Paraná.
Profissionalizar o setorA Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) nasceu no decorrer do primeiro projeto, em 1971. Esses projetos, cobrindo todo o Estado, propiciaram um contato mais efetivo entre produtores e cooperativas, e destas entre si, via organização de comitês educativos e integração horizontal e vertical, despertando o cooperativismo para o espírito empresarial.
A integração, considera a OCB, possibilitou uma participação mais efetiva das cooperativas na atividade econômica. Houve a agregação dos interesses dos produtores para a economia de mercado. As cooperativas tiveram que montar uma infra-estrutura básica para o atendimento das produções, o que foi fundamental para o início da integração e, consequentemente, da agroindustrialização.
A partir da organização da produção agrícola, as cooperativas agropecuárias, segundo informações da OCB, passaram a se preocupar com a montagem do complexo agroindustrial, deixando de ser apenas repassadores de matéria-prima para as indústrias.
Difusão de tecnologiasO Centro de Pesquisas da Ocepar foi criado pelas cooperativas paranaenses em 1972, para promover o desenvolvimento tecnológico e agropecuário das próprias cooperativas. Um dos objetivos foi buscar e desenvolver novas tecnologias, para o aumento de produtividade, dando maior segurança e rentabilidade aos agricultores.
O Centro de Pesquisa desenvolveu programas que resultaram na recomendação de novas cultivares de trigo, soja, milho, triticale, além de pesquisas de algodão e outras tecnologias. Por decisão das cooperativas paranaenses, o Centro de Pesquisa adquiriu personalidade jurídica em abril de 1995, sob a forma de Cooperativa Central Agropecuária de Desenvolvimento Tecnológico e Econômico (Coodetec), instalada em Cascavel, no Sudoeste.
AutogestãoA partir de 1983 o cooperativismo paranaense realizou uma experiência pioneira no Brasil, para o desatrelamento da ingerência estatal nas cooperativas. Depois entidades de representação discutirem com o Governo, foi implantado o Projeto Piloto de Autofiscalização. Foi o primeiro passo rumo à autogestão das cooperativas no Paraná.
Em 1991 foi aprovado o Programa de Autogestão, com os seguintes objetivos: orientação na constituição e registro de cooperativas; acompanhamento de desempenho; educação, capacitação e reciclagem; organização dos cooperados; comunicação e integração.
Estratégia futuraNuma das reuniões dos núcleos foi aprovado o planejamento estratégico das cooperativas paranaenses: o Plano Paraná Cooperativo 2000, baseado na situação econômica do sistema, nas tendências do mercado interno e externo e no potencial de crescimento. Foram traçadas diretrizes de médio e longo prazo, que orientarão os próximos investimentos. O desafio é inserir o cooperativismo na modernidade imposta às empresas pela globalização mundial.
Diante do crescimento acelerado do número de novas cooperativas, especialmente no setor urbano, foi criada, em novembro de 1996, a Incubadora de Cooperativas, para disciplinar e uniformizar os procedimentos, de modo que a constituição destas novas empresas se dê em conformidade com a legislação.
Em 1997 a Ocepar foi transformada em Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná, para representar e defender os interesses do sistema cooperativo paranaense perante as autoridades e sociedade, além de prestar serviços adequados ao desenvolvimento das sociedades cooperativas e de seus integrantes, e exercer a representatividade sindical das cooperativas paranaenses.





