Sistema garantiu qualidade de vida no campo
No Vale da Ribeira, a experiência dos Sistemas Agroflorestais já é realidade há quase 15 anos, ou mais exatamente desde 1996, quando duas famílias de agricultores da região deram início à Cooperafloresta. De lá para cá, a cooperativa de agrofloresta cresceu e hoje reúne 110 famílias de agricultores e quilombolas de 19 bairros de Barra do Turvo, no lado paulista, e dos municípios paranaenses de Adrianópolis e Bocaiúva do Sul.
''Muito mais do que uma alternativa de produção e geração de renda que conserva o meio ambiente, muitos de nós encontramos uma razão e sentido para a vida'', cita o site da entidade. Ali, uma das regiões mais pobres e de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Estado, mais do que uma alternativa de produção, o sistema resultou também em garantia de boa alimentação, com fartura e diversidade, para a população local.
Antes da agrofloresta, as famílias sobreviviam da produção de feijão cultivado em solos empobrecidos pelas queimadas e pela erosão. Cada produtor vendia sua colheita por conta própria, viajando de ônibus para cidades vizinhas. Para engrossar a renda, tinham que fazer bicos em outras áreas. Naquele tempo, a renda familiar não passava de 2 salários mínimos por ano.
Hoje, 180 hectares são cultivados pelo sistema de agrofloresta. Outros 360 hectares foram deixados para ação do processo natural de regeneração florestal, onde estão crescendo mais de 1 milhão de mudas de árvores e palmeiras nativas e exóticas. Na área de plantio, já foram plantadas uma das frutas mais caras do mundo, o mangustão, e diversas frutas amazônicas, além de verduras, bananeiras, jaca, mandioca, cana-de-açúcar, entre outros produtos.
A comercialização, por sua vez, passou a ser feita coletivamente pela cooperativa. A maior parte (61%) vai para o Programa de Aquisição da Agricultura Familiar, que distribui os alimentos para escolas e creches, cerca de 26% são vendidos em Feiras Ecológicas de Curitiba, 6% vão para o Circuito de Comercialização da Rede Ecovida de Agroecologia e 7% para o pequeno varejo.
Com isso, a renda das famílias aumentou de dois para 12 salários mínimos anuais. ''Melhorou demais. Antes eu só tinha uma lavoura, plantava milho. Ás vezes, limpava a terra, plantava e não dava nada. Agora nós plantamos menos, mais variado, e colhemos e ganhamos mais'', comemora o agricultor Urias Assis da Mota, de Barra do Turvo, há quatro anos no sistema agroflorestal.
Em sua terra de um alqueire, onde vive com a mulher e dois filhos, ele produz entre 25 a 30 caixas de produtos por semana, o que lhe garante um ganho de 1,5 a até dois salários mínimos por mês. ''A partir do momento que você começa a colher, não para mais. Eu estou sempre colhendo'', diz. (M.G.)





