Sistema fortalece cidades e auxilia prefeituras
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sábado, 18 de maio de 2019
Victor Lopes - Grupo Folha 

A 50 quilômetros de Maringá, a pequena cidade de Ivatuba, de 3,2 mil habitantes, respira cooperativismo. A única - entre todos os municípios do Estado - que possui mais de 90% dos produtores rurais ligados às cooperativas do agro. Do VAB (Valor Adicional Bruto) do município (PIB sem impostos e subsídios) de R$ 101,2 milhões, 33% vem do agronegócio. A FOLHA esteve por lá para entender o impacto desses números para o dia a dia da cidade.
Produtor de grãos numa área de 53 alqueires e vice-prefeito de Ivatuba, Sérgio José Santi, conhece bem as terras de seu município. Seu avô ingressou na cidade em 1951 e, até a geada de 1975, plantou café. Hoje, com a família focada na soja e milho, ele relata a importância do sistema cooperativista, principalmente a Cocamar, para a cidade. “Meu pai já era cooperado e isso passou para mim, como todos os produtores daqui. Temos esse DNA do cooperativismo, eles trazem as inovações, as novas pesquisas e assim vamos participando. Aqui, não temos nenhum silo particular para grãos. Tudo é da cooperativa.”
Como representante do executivo, Santi relata que a cooperativa acaba sendo fundamental principalmente pela assistência técnica. “Temos aqui uma terra roxa boa extremamente cara (que precisa ser produtiva). Temos os agrônomos da cooperativa e da Emater que trocam informações, além de promover palestras e dias de campo”, complementa.
Já em Toledo, a participação dos cooperados no agro é de 70% do total de produtores, mas a cidade lidera o ranking de maior número de agricultores inseridos no sistema: 1.831 pessoas. Em entrevista à FOLHA, o secretário de agricultura do município, Cristopher de Azevedo, relata que as cooperativas são as mais variadas na região: grãos, além da força de abatedouros e frigoríficos de suínos. “Aqui na cidade temos o entreposto da Coamo que gera maior lucro depois de Campo Mourão (sede). Também temos a maior produção de suínos do Estado, com 1,1 milhão de cabeças estáticas.”
Para ele, a força do cooperativismo na região também está ligada aos imigrantes alemães e italianos, que já vieram com este conceito de trabalharem juntos para ganharem força. “O maior Volume Bruto de Produção (VBP) do Estado, de R$ 2,1 bilhões, é de Toledo. Como as cooperativas são de fora, desse montante, permanece aqui da arrecadação entre 8% e 10%. Entretanto, acontece uma circulação forte de mercadorias (e dinheiro), além de fomentar o setor moveleiro, de automóveis, imobiliário, entre outros. “
Outro ponto citado por ele é que com as cooperativas atuantes, “uma carga” da prefeitura é tirada, principalmente em relação à assistência técnica. “É importante que os produtores estejam ligados, bem assistidos, buscando tecnologias novas para aumentar nosso VBP. Sem contar a geração de empregos que traz ao município.”


