Sistema exige adaptações
De acordo com o pesquisador José Pedro Garcia Sá, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), a implantação do sistema barreirão começa com pré-incorporação com grade aradora, no final do inverno, da vegetação picada da pastagem, e o calcário. A seguir vem o trabalho com arado de aiveca, para descompactar o solo e incorporar, profundamente, o calcário e os resíduos orgânicos.
Uma grade niveladora servirá para destorroar, eliminar invasoras recém-emergidas e nivelar o solo, deixando a área pronta para o plantio. Antes do plantio deve-se misturar as sementes de braquiária (brizantha ou decumbens) ao adubo, que vão para a mesma caixa da plantadeira. Na outra caixa, colocam-se as sementes de arroz ou milho.
O nível de adubação, recomenda o pesquisador, deve ser superior ao empregado no sistema convencional para a cultura solteira, visando cobrir parte das necessidades da pastagem, que deverá coexistir com a cultura e persistir por um longo período após a colheita do arroz ou milho. Ele lembra que deverá ser usada uma variedade de arroz tolerante ao acamamento.
Evitar competiçãoA mistura de adubo e sementes de capim, aconselha, deverá ficar entre 8 e 10 centímetros (cm) de profundidade. O arroz é semeado entre 2 a 3 cm de profundidade e, se a opção for pelo milho, entre 4 e 5 cm de profundidade. Por força dessa disposição o arroz ou o milho germina primeiro, cresce e sombreia o terreno, o que retarda o crescimento inicial da braquiária. Considerando que as pastagens degradadas são focos permanentes de pragas, como a cigarrinha-das-pastagens, que podem comprometer a lavoura, é aconselhável, recomenda, tratar as sementes de arroz com inseticidas sistêmicos.
A colheita (arroz ou milho) precisa ser feita no ponto exato de maturação dos grãos, adverte Sá. Um atraso pode resultar em dificuldade na colheita, devido ao aumento de massa verde da forrageira. O pesquisador do Iapar lembra que, além da inclusão de outras culturas (soja e girassol, por exemplo) e novos capins que não sejam as braquiárias, o sistema barreirão no Paraná exige adaptações em algumas localidades, visando atender diferentes características de solo, clima e espécies invasoras.(C.B.)





