Pesquisadores, técnicos e entidades privadas, universidades, cooperativas, prefeituras, produtores e até indústrias do setor leiteiro estão se unindo para traçar um programa com objetivo de incrementar a atividade leiteira no Paraná. A informação é do pesquisador Leovegildo de Matos, gerente do núcleo regional sul da Embrapa Gado de Leite, com sede em Londrina.
Embora o Estado seja hoje o terceiro produtor brasileiro de leite a grande maioria dos produtores está vivendo uma das maiores crises do setor. Importações, problemas climáticos e falta de políticas vem desestimulando os investimentos na atividade, potencial para transformar o Estado até em exportador do produto.
O objetivo é encontrar saídas tecnológicas que possam manter esses produtores na atividade, com custo mais baixo e melhor rentabilidade, especialmente em pequenas áreas. Neste momento em que milho e soja mantém altos preços, o setor leiteiro deverá enfrentar dificuldades. Em algumas regiões o produtor não deverá investir na silagem pelo alto custo de produção e a tendência é cair a produção.
O jeito será direcionar cada vez mais a produção de leite a pasto, recuperando, adubando e fazendo a manutenção das pastagens para garantir boa nutrição do rebanho. Uma das alternativas para custear o processo é fazer a integração com a lavoura. O leite dará o rendimento mensal e a lavoura o anual. Adotar a produção a pasto traz a possibilidade de um custo menor com a alimentação do rebanho.
A falta de apoio de algumas entidades ao sistema de produção a pasto, que seria em muitos casos mais rentável ao pequeno produtor, ainda impede a adoção deste modelo de produção. Goiás, por exemplo, tem produção de leite a pasto, com raças mais rústicas, em terras mais baratas. O modelo pode ser adotado no Paraná que já viveu no leite o incentivo de modelos de produção que não estavam de acordo com a realidade do produtor, demandando, por exemplo, altos investimentos em instalações.
Em algumas áreas, pela característica de rentabilidade mensal, a produção de leite a pasto é mais rentável do que a soja'', garante o pesquisador. No Paraná, dados do programa Redes de Referência da Emater, que trabalha com pequenas propriedades e agricultura familiar, provam que o custo de produção de leite a pasto pode ser de R$ 0,17,5/litro, enquanto que o produtor receberia R$ 0,36 em média.
Para que a produção de leite a pasto seja eficiente o produtor deve investir em melhores condições de pastagens. Trabalhos das entidades de apoio ao setor leiteiro, segundo Matos, estão orientando produtores para a produção a pasto, com suplementação, uso de aveia, cana com uréia e em algumas regiões onde é possível usar forrageiras de inverno, para reduzir custos com alimentação, aumentar a produção e obter qualidade na produção.

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