O professor de medicina veterinária preventiva da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Amauri Alfieri, lembra que o processo para obtenção do status de área livre da aftosa costuma ser demorado e acredita que o Paraná tem caminhado rápido demais. ''É preciso fortalecer e consolidar o sistema de defesa agropecuária do Estado para que funcione da mesma forma, independente de quem esteja no poder'', avalia.
Segundo ele, mais do que a necessidade de ampliar o número de funcionários, é preciso capacitar e estimular os profissionais para atuar nas barreiras. ''Temos um ponto nevrálgico na divisa com o Paraguai, pois a qualidade sanitária do país vizinho independe das ações do Paraná ou do Ministério da Agricultura. É um risco muito grande'', argumenta. O professor ressalta que, mesmo com o fim da obrigatoriedade da vacina, seria preciso dar continuidade à agulha oficial, ação em que o próprio governo aplica a vacina em áreas de reservas indígenas, assentamentos e pequenas propriedades.
Alfieri afirma que também é necessário investir na remuneração dos profissionais, para que eles se sintam estimulados na função, bem como na infraestrutura de equipamentos, instalações das barreiras sanitárias e nos veículos usados na vigilância. ''O produtor faz a parte dele e a cobertura vacinal está adequada, mas a vigilância precisa ser pesada nas barreiras interestaduais, principalmente no controle do trânsito de animais na fronteira com o Mato Grosso do Sul'', afirma.
O professor da UEL reforça a preocupação de que o Estado esteja em condições para encerrar com a vacinação, com um aparato de defesa agropecuária consolidado. ''Caso o vírus entre no Estado, seria terrível porque o rebanho estaria sem imunidade e completamente susceptível diante de uma doença de altíssima transmissibilidade'', ressalta. Segundo Alfieri, o Estado precisa elaborar constantemente análises de risco e um plano de contingência para enfrentar um possível foco da doença.(M.F.)

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