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sexta-feira, 20 de maio de 2016
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
Na lavoura ou dentro do estábulo, na lida diária do pequeno agricultor em sua propriedade, o rádio continua sendo um meio de comunicação que se mantém firme em meio às tantas tecnologias difundidas nos dias de hoje. Logo pela manhã, bem cedinho, ou no final da tarde, depois da labuta, o agricultor mantém aquela tradição de ligar o rádio, ouvir uma boa moda de viola ou buscar notícias relevantes sobre seu cotidiano.
E em meio a esta rotina de muito trabalho na zona rural é que o programa o Homem e a Terra, produzido pelo Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), completa 40 anos neste mês. Dedicado exclusivamente a informar o produtor de forma simples e descontraída, ele é veiculado de segunda a sexta-feira em 115 emissoras do Paraná, sempre no formato dinâmico de dez minutos. Na última terça-feira, durante as comemorações do aniversário do programa, foram celebrados os 60 anos do Emater e a Folha Rural também foi homenageada pelo governo do Estado.
Criado em 1976, o programa sem dúvida faz parte da vida de muitos produtores paranaenses. Ele começou como um projeto piloto, inicialmente transmitido por quatro rádios do Sudoeste do Estado. Em 1980, já eram 35 emissoras, se difundindo ano após ano. "O Emater, que na época ainda era Acarpa (Associação de Crédito e Assistência Rural do Paraná), comentou que não haveria mais como manter os horários em todas as emissoras. Disse que disponibilizaria gratuitamente as fitas com os programas para quem estivesse interessado em continuar transmitindo. Logo, as poucas rádios que desistiram da transmissão entraram em contato para retornar, devido à força do programa", salienta
o apresentador e produtor do Homem e a Terra, Ramon Ribeiro.
Aliás, Ribeiro se dedica a este trabalho desde a criação do Homem e a Terra, já atuando em diversas frentes. Há mais de 15 anos ele assumiu a apresentação e percebe o feedback dos agricultores de todos os cantos do Estado. O segredo para a longevidade do trabalho está em aliar esta linguagem que o produtor conhece com informações que, de fato, podem transformar o trabalho na propriedade. "Costumo dizer que abrimos as porteiras para os extensionistas fazerem seu trabalho. Tentamos motivar o produtor a adotar novas técnicas e mudar hábitos para melhorar sua qualidade de vida", salienta ele.
Dentre as preferências que os produtores têm em relação ao programa, o apresentador diz que eles buscam muito as informações sobre o clima e também sobre a comercialização dos produtos. "Nós criamos uma intimidade com eles que é até difícil de mensurar. E nada de falar em bushel, mas sim em saca, é isso que eles querem saber", brinca Ribeiro.
O sucesso do programa é medido pelos extensionistas da entidade, que estão em contato direto com os produtores no campo. Ricardo Augusto da Silva é extensionista em Iguaraçu, no Norte do Estado, e participa do programa desde 2009, sempre com ideias de pautas e ouvindo o que os produtores têm a dizer. Na sua região de atuação, o foco é o leite, olerícolas e frutas e ele comenta que os agricultores ligam o rádio diariamente para ouvir o programa. "Na hora de ordenhar as vacas, o rádio já está ligado. O pessoal escuta bastante, principalmente na região Sudoeste", relata.
E será que em meio a este mundo de internet, aplicativos de mensagens e redes sociais, o programa Homem e a Terra tem fôlego para se manter forte nos próximos anos? O apresentador Ramon Ribeiro tem a resposta na ponta da língua. "Não podemos renegar o passado para fazer o futuro. Estamos nos encaixando ao jogo da evolução."


