Sindicalistas vão intervir na saúde do campo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de maio de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba Sindicalistas ligados à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) vão intervir nos serviços de saúde prestados na zona rural. Um projeto desenvolvido em parceria com o Ministério da Saúde, permitirá ainda a participação nas políticas públicas dos municípios. A coordenadora do projeto, Lucia Maria Paixão Aragão, afirma que há uma precariedade nos serviços de saúde praticados no campo. A situação, para ela, ''precisa ser revertida por meio de um controle social''.
Esse projeto vem sendo negociado com o Ministério da Saúde desde 1995, com o movimento ''Massas das Margaridas'' de mulheres ligadas ao movimento sindical. A proposta foi aceita em 2004, durante o 14º Grito da Terra Brasil. Por três anos, o governo federal destinará R$ 6 milhões, para os 27 estados da Federação. Desse total, R$ 4,8 milhões são do Ministério da Saúde e R$ 1,2 milhão como contrapartida do movimento sindical.
No Paraná, esse projeto será executado inicialmente em seis municípios: Grandes Rios, Rio Branco do Ivaí, Borrazópolis, Faxinal e Rosário do Ivaí. O trabalho teve início com a capacitação de mulheres do movimento sindical, para que sejam multiplicadoras de agentes que integrarão os conselhos municipais de saúde. De acordo com Lucia, até o final do ano, esses agentes vão levantar as carências da saúde no campo e também agir na prevenção de doenças.
Segundo Lucia, é preocupante o aumento de casos como envenamentos por agrotóxicos, doenças sexualmente transmissíveis, hipertensão e câncer bucal, tendo a falta de higiene como um dos causadores. Os sindicalistas, para ela, podem auxiliar na prevenção desses males e no apoio à essa população. ''O movimento sindical quer contribuir na qualificação das pessoas no meio rural fazendo com que elas participem mais e tomem consciência de seus direitos''.
No Paraná, a qualificação dos agentes está sendo feito pela Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Paraná (Fetaep). Para ampliar essa capacitação, na semana passada, a entidade promoveu o Seminário Estadual de Sensibilização e Planejamento do Projeto de Formação de Multiplicadores em Saúde e Direitos Sexuais e Reprodutivos. O evento teve a presença de 30 mulheres ligadas ao movimento sindical.
A coordenadora da comissão estadual de mulheres da Fetaep, Regina Lescio Barbato, lamentou o descaso e a falta de tolerância que ocorre na área rural quando o assunto é a saúde. Ela cita o não atendimento das pessoas que chegam atrasadas para as consultas e a falta de médicos especialistas. ''Os atrasos ocorrem pelas distâncias que essas pessoas percorrem'', justifica.


