A baixa eficiência na identificação do período de cio das vacas é a principal dificuldade para o crescimento da inseminação artificial e da transferência de embriões no Brasil. A opinião é do veterinário Pietro Sampaio Baruselli, professor de reprodução animal da faculdade de veterinária da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ele, a solução para o problema é utilizar medicamentos que sincronizem a ovulação, dispensando a necessidade de detectar a época fértil antes de aplicar a tecnologia.
O especialista explicou que a inseminação deve ser feita durante o cio e que atualmente, essa data é descoberta através da observação visual dos animais. ''Por esse método, no máximo 70% do rebanho de uma propriedade que usa técnicas de reprodução artificial é fecundado'', disse. A explicação para esse índice é que nem sempre o funcionário que está olhando as fêmeas consegue perceber o cio.
Muitas vezes, o período fértil também acontece à noite ou quando não há ninguém trabalhando. Como as vacas são afastadas do touro para que o macho não as fecunde de forma natural, 30% das fêmeas acaba não emprenhando. ''Isso ocasiona prejuízos para o produtor, que desiste da tecnologia'', avaliou o especialista, que na semana passada esteve em Cornélio Procópio (região Norte) ministrando curso sobre o tema a veterinários.
Ovulação sincronizada A técnica proposta por Baruselli consiste na aplicação de remédios que induzam a ocorrência do cio de todas as vacas do rebanho em um mesmo dia. É o que ele chama de ovulação sincronizada. ''Com a introdução de medicamentos nos ovários das fêmeas, é possível concentrar a ovulação numa única data. A técnica é parecida com o que se faz hoje na reprodução humana'', ensinou.
Através desse processo, insemina-se 100% das vacas da propriedade, com taxa de eficiência entre 40% a 50%, ou seja, a metade das fêmeas fica prenha. ''O custo varia de R$10 a R$40 por animal, mas o ganho em fertilidade compensa'', garantiu. Outra vantagem da sincronização do cio é a facilidade de manejo. Segundo o professor, a técnica torna possível programar a inseminação de um grande número de fêmeas para um mesmo dia. Dessa forma, o veterinário deixa de depender da natureza de cada animal para trabalhar.
Outros problemas O rebanho brasileiro tem 160 milhões de cabeças de gado. Sessenta milhões de animais são aptos a se reproduzirem, mas apenas 6% são inseminados artificialmente. Além da baixa taxa de serviço (dificuldade na identificação do cio), a falta de mão-de-obra especializada e os problemas de nutrição enfrentados pelo rebanho nacional constituem entraves para o crescimento das técnicas de reprodução artificial.
Segundo o professor da USP, apenas 15% das propriedades do País apresentam condições para receber um programa eficiente de inseminação. ''Não adianta iniciar o trabalho se os animais apresentam comprometimento corporal, pois nesse caso, a eficiência da tecnologia atinge apenas 20%'', disse.
O primeiro passo para obter bons resultados é consertar o pasto e sanar falhas no manejo. ''O veterinário deve ser honesto com o cliente. Se as condições são inadequadas, é necessário resolver o problema antes de começar a inseminação'', opinou.
Conquista do mercado Ele acrescentou que com o controle da febre aftosa, o Brasil tem condições de conquistar o mercado externo de carne. ''Mas para isso, é necessário melhorar o rebanho'', afirmou. Para Baruselli, a inseminação artificial e a transferência de embriões constituem o melhor caminho para atingir esse objetivo.
O veterinário explicou que a tecnologia promove o melhoramento porque identifica animais de alta produtividade e difunde seu material genético através da reprodução artificial. Segundo ele, um touro melhorador, no campo, cobre uma média de 50 fêmeas por ano. Com a inseminação artificial, esse número passa para dez mil anuais. ''A tecnologia é a maneira mais eficiente para melhorar o rebanho e conquistar o mercado'', afirmou.

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