Sinal vermelho para a suinocultura
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sexta-feira, 17 de junho de 2011
Ricardo Maia <br>Reportagem Local 
Desde janeiro, os preços pagos aos produtores de suínos no Paraná estão caindo. No início do ano, o produtor recebia R$ 2,55 pelo quilo, a um custo de produção médio de R$ 2,50. Hoje, recebe cerca de R$ 1,80, o quilo. De acordo com o último relatório realizado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior Luiz de Queiroz (Cepea/Esalq/USP), da segunda quinzena de abril até 10 de junho, o preço da carne suína ao produtor depreciou 19,3%, enquanto a bovina e a de frango resfriado caíram respectivamente 5,9% e 12,7%.
''O suinocultor paranaense está pagando para trabalhar'', afirma o presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS), Carlos Francisco Geesdorf. Com os custos de produção acima dos preços pagos aos produtores, devido à alta no preço do milho e ao excesso de oferta da carne no mercado interno, quem produz está vivendo uma situação difícil. Pequenos e médios criadores, segundo ele, estão deixando a atividade porque não têm condições de manter os animais. Alguns estão tirando dinheiro do próprio bolso para permanecer na atividade.
Jurandir Soares, diretor de mercado da Associação Brasileira dos Exportadores de Suínos (Abipecs), revela que eventos como a desaceleração da economia brasileira, a elevação do endividamento dos consumidores brasileiros e a migração no consumo de carne suína pela de boi e frango, devido à queda nos preços desses produtos, ajudaram a depreciar os preços do suíno no mercado interno. Além disso, segundo o especialista, toda a carne que seria enviada à Rússia está agora no mercado interno. A Rússia embargou as importações de carnes de 85 frigoríficos brasileiros. A suinocultura foi o setor mais prejudicado, cerca de 30% do que o Estado exporta de carne suína seguia para aquele país.
A analista de mercado Camila Hortelã do Cepea explica que os preços do suíno vivo começaram o mês de março aquecido, mas em abril, os valores despencaram devido ao aumento da oferta de carne suína no mercado. ''Desde o começo do ano, a Rússia já vinha diminuindo suas importações, isso aumentou os estoques no mercado interno'', destaca Camila. Segundo ela, o consumidor optou pela carne de boi e de frango, que tiveram queda de preços no varejo, enquanto a suína se manteve estável.
Em maio, por exemplo, o valor do suíno vivo pago ao produtor no Paraná caiu 21,7%. Entre os dias 31 de maio e 13 de junho, a queda foi de 4,3%. A média dos preços pagos pelo quilo do suíno vivo nesse período, de acordo com o Cepea, foi de R$ 1,80, R$ 0,70 a menos do que foi pago em janeiro desse ano, momento de maior alta do produto em 2011. Camila destaca que o suinocultor é quem está pagando a conta.
Norberto Ortigara, secretário estadual da Agricultura, pede que o produtor não se desespere porque o setor vai se ajustar automaticamente. ''As medidas estão sendo tomadas. Já se cogita uma intervenção do governo federal que estuda a venda em balcão de insumos ao pequeno produtor para diminuir os custos dos insumos. Além disso, estamos analisando a possibilidade de reduzir o ICMS dos produtos na fazenda e também a realização de compras institucionais da produção para serem direcionadas à merenda escolar. Mas isso ainda está sob avaliação'', explica o secretário.


