Segundo o departamento de agricultura americano (USDA), em apenas 15 anos a produção mundial dos principais grãos subiu de 1,1 bilhão de toneladas para 1,5 bilhão de toneladas. No Brasil, houve um crescimento de produção de 286%, e o volume de grãos saltou de 43 milhões para 123 milhões de toneladas de 1990 para 2005. Mas a capacidade estática de armazenagem não acompanhou esse crescimento.
Nos últimos quatro anos, a capacidade de armazenagem brasileira subiu apenas 13%, causando uma defasagem de quase 30 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Além dessa discrepância entre produção e armazenagem, o país enfrenta mais um gargalo na pós-colheita: a baixa infra-estrutura no transporte de grãos, principalmente com relação às rodovias, pois 67% das cargas brasileiras de grãos são deslocadas por estradas, segundo um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De 1996 a 2003, de acordo com o IBGE, o prejuízo causado com o derrame de grãos durante o transporte rodoviário chegou a R$ 2,7 bilhões a cada safra. Somente em milho o país perdeu 4,1 milhões de toneladas no processo de armazenamento e transporte.
Para discutir esses e outros temas a Associação Brasileira de Pós-Colheita (Abrapós), em parceria com a Cooperativa Integrada e Sociedade Rural do Paraná, programou o 2º Simpósio Paranaense de Pós-colheita e o 1º Simpósio Internacional Grãos Armazenados para esta edição da Exposição de Londrina. Entre hoje e amanhã, cerca de 500 profissionais do setor produtivo estarão reunidos, no Centro de Treinamento Milton Alcover, para palestras e debates com a presença de especialistas no assunto.
Entre os palestrantes estão o entomologista-chefe do Departamento de Indústrias Primárias e Pesca da Austrália, Patrick Collins, que irá mostrar a experiência australiana no ‘‘Monitoramento da Resistência de Pragas em Grãos Armazenados’’. A representante da Associação Argentina de Pós-colheita (Aposgran), Ana María Di Giulio, falará sobre os padrões de qualidade e medidas de controle de pragas de pós-colheita na Argentina.
Também estão programadas palestras sobre ‘‘Resistência de Pragas de Grãos Armazenados e Alternativas para o Manejo Integrado’’, ‘‘Perigo das Micotoxinas na Alimentação Humana’’, ‘‘Evolução Tecnológica dos Processos de Determinação de Umidade em Grãos’’, entre outros temas, além de rodada de debates sobre transporte e escoamento de grãos.
Para o presidente da Abrapós, Irineu Lorini, a programação foi estruturada de forma a interagir com os diversos elos da cadeia produtiva da pós-colheita. ‘‘A Abrapós propõe um debate que vai além da lavoura, já pensando na maneira mais eficiente de armazenar a safra ou mesmo escoar a produção no mercado frente a uma supersafra mundial de grãos’’, comenta Lorini.

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