Sim para Brasil exportar mais
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sexta-feira, 19 de maio de 2000
Jota Oliveira De Londrina 
Quarta-feira, 24, à tarde, em Paris, a Organização Internacional de Epizootias (OIE) anunciará a decisão de seus 155 países-membros a respeito de pedido do Brasil para liberação do Circuito Pecuário Centro-Oeste como zona livre de aftosa com vacinação. Isto possibilitará ao País vender mais no mercado interno, do que as 571.771 toneladas (faturamento de US$680 milhões, considerando-se a manutenção do preço médio de US$1.922 a tonelada da carne in natura e US$817 a tonelada da carne industrializada obtidos no primeiro semestre deste ano), segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
A sessão geral da OIE começará segunda-feira, 22; votará a solicitação do Brasil quarta, 24 e terminará sexta, 26. Somente deste Estado estará presente uma delegação de 44 pessoas, liderada pela Federação da Agricultura (Faep) e Sociedade Rural do Paraná. O Brasil será representado oficialmente pelo veterinário Hamilton Farias, chefe da Defesa Sanitária Animal do Ministério da Agricultura e terá delegações de vários Estados. Do Circuito Pecuário Centro-Oeste fazem parte o Paraná, Distrito Federal, a maior parte de São Paulo, partes de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.
Todos serão beneficiados por uma aprovação da OIE à solicitação brasileira de reconhecimento desta área onde se concentra o maior rebanho da pecuária de corte do País como livre de febre aftosa com vacinação. Até agora apenas Rio Grande do Sul e Santa Catarina tinham essa condição.
HistóricoDe Londrina já seguiram para a Europa o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Francisco Galli e o diretor-secretário, Arnaldo Coelho do Amaral Filho. Este lembrou à Folha Rural que há dois anos o Circuito Pecuário Centro-Oeste não tem casos de febre aftosa, devido ao controle sanitário que vem sendo feito na área. Esta é a base da reivindicação feita pelo Brasil à OIE para liberar a região para exportações. Apenas Mato Grosso do Sul está fora desse pedido (e, por isso, afastado daquele circuito) e precisará de mais dois anos para ser liberado, apesar das campanhas de vacinação do seu rebanho serem bem sucedidas). A diferença é que o trabalho feito em Mato Grosso do Sul é bem conhecido, enquanto a OIE desconhece o que vem ocorrendo no Paraguai, país que tem fronteira seca com aquele Estado brasileiro.
A organização internacional tem regras severas para assegurar que a população mundial consuma carnes de boa qualidade. Ela exige, por exemplo, um registro mínimo de cada animal da fazenda, marcadores para identificar os animais; assistência veterinária e identificação dos vacinadores. Em 28 de dezembro de 99 o ministro da Agricultura do Brasil, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, declarou o Centro-Oeste região livre de aftosa, para consumo interno, e remeteu relatório à OIE. A decisão, salientou Arnaldo Amaral, será anunciada quarta-feira, quando se reunirá a comissão técnica para aftosa e outras epizootias.
Mediocridade positivaA aftosa, na opinião do diretor da Sociedade Rural do Paraná, é uma enfermidade das mais medíocres, porém é uma questão de conceito: quem não consegue controlar essa doença, pode deixar de controlar doenças mais sérias, como a brucelose. O grande avanço será o atestado, que indicará carne de melhor qualidade, com selo de garantia fornecido por uma entidade reconhecida mundialmente.
Adquirindo o atestado de que a carne tem boa procedência e, por isso, padrão reconhecidamente bom, o produto estará livre de suspeita. O comprador não precisará mais vir aqui checar como é produzida a carne brasileira; se ela não oferece riscos para a saúde. Vamos estar disputando em pé de igualdade com os demais exportadores, concluiu.


