Além do trabalho árduo e do baixo valor de mercado, o clima deste ano não ajudou os cafeicultores. A estiagem entre março e abril prejudicou a frutificação dos grãos e as chuvas no período da colheita colocaram em xeque a qualidade da bebida. Apesar das dificuldades, os produtores paranaenses seguiram em frente. No último dia 29, oito deles estiveram em Ribeirão do Pinhal, no Norte Pioneiro, como finalistas do 7º Concurso Café Qualidade Paraná. O desafio do evento - coordenado pela Câmara Setorial do Café da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) - é reverter a imagem histórica de que o Paraná só tem produção, mas não qualidade.
''Com o concurso estamos conseguindo provar que temos excelente qualidade para inserir o Paraná no marketing dos cafés do Brasil'', diz Paulo Franzini, secretário executivo da Câmara Setorial e coordenador geral do evento. A sétima edição do concurso teve como tema a qualidade com sustentabilidade. Houve duas categorias: café natural e cereja descascado. Participaram 150 cafeicultores das regiões de Santo Antonio da Platina, Cornélio Procópio, Londrina, Maringá, Apucarana e Ivaiporã. Cada região elegeu os cinco melhores cafés em cada categoria. Desses 30 inscritos na fase estadual, 16 foram a júri e oito para a final.
Os jurados avaliaram os café de formas técnica e sensorial. Cada produtor concorreu com lote de 10 sacas (60 quilos) de café arábica, safra 2009, cujos critérios técnicos exigiam tipo 2/3, peneira 16 e umidade máxima de 12%. A avaliação sensorial, feita por onze degustadores, buscou cafés de bebida superior - apenas mole e mole. Os arrematadores do leilão foram: Cocari, Corol, Café Damasco, Café Pecato, Café Fazenda Lusitana e Luca Cafés Especiais.
Apesar de o concurso ter selecionado bons cafés, a qualidade ficou comprometida por causa do clima desfarorável. Segundo Paulo Franzini, este foi o ano ''mais atípico para a qualidade'', desde a primeira edição do evento. ''Muitos cafés não conseguiram estar em conformidade com o padrão. Mesmo assim, mantivemos o rigor da avaliação e, devido ao esforço e zelo dos produtores, conseguimos um bom resultado'', afirma Franzini.
Primeiro veio a seca, que prejudicou a frutificação dos grãos e fez com que muitos produtores não se encaixassem nos critérios técnicos. ''Toleramos, por exemplo, apenas 2% de vazamento na peneira 16'', informa o coordenador. Depois, as chuvas atingiram as lavouras em plena colheita. E café com umidade, fermenta, resultando em bebida inferior. Aí, durante o concurso, surgem os chamados ''cafés terroristas''. ''A aparência é boa, mas de repente estoura uma xícara, ou seja, aparece um defeito proveniente do clima. Às vezes, isso pode influenciar apenas uma xícara, mas prejudica a avaliação'', observa Franzini.
A proposta do concurso vai de encontro às mudanças que vêm ocorrendo na comercialização do setor, já que cresce a fatia do mercado que busca os cafés especiais. ''À medida que os produtores investem na produção de cafés especiais, passam a ser melhor remunerados'', afirma o coordenador. Segundo ele, 85% dos cafeicultores do Estado são considerados pequenos - áreas abaixo de 8 hectares. O Paraná tem hoje 98 mil hectares cultivados e a estimativa de produção desta safra - em processo final de colheita - é de 1,4 milhão de sacas beneficiadas. O número é inferior ao ano passado, quando foram colhidas 2,5 milhões de sacas.

mockup