O agropecuarista José Cardoso Neto, de Londrina, está satisfeito com uso da silagem de girassol na alimentação do gado confinado da raça limousin. Ele plantou 10 hectares na safra normal e irá plantar mais 10 ha agora, na safrinha, que pode ser iniciada até março.
Por enquanto, explica, é uma experiência, já que foi o primeiro plantio. Uma primeira a avaliação sobre a nova opção de alimentação do rebanho deverá ser feita ao longo de 90 dias. ‘‘Por enquanto os animais estão comendo bem e, mais importante, mantendo o ganho de peso.’’
EconomiaA escolha do girassol para silagem, segundo o pecuarista, foi pela economia na alimentação dos animais. ‘‘O gado come menos do que a silagem de milho e tem o mesmo ganho de peso.’’ A silagem de girassol, segundo Neto, possui teor de proteína de 12%. ‘‘O milho tem 7%.’’
Ao invés de comer 30 kg de milho/dia, ingestão normal de um bovino adulto com 400 kg de peso em média, conforme Neto, o animal acaba comendo 18 kg/dia do girassol, com o mesmo efeito de engorda, cerca de 1000 a 1200 kg/dia.
Na safra normal o rendimento da lavoura de girassol chegou a 30 toneladas/ha. ‘‘Poderia ter sido maior, de até 40 t/ha. Mas foi o primeiro cultivo.’’ A expectativa é que o resultado de rendimento se mantenha na safrinha.
Animais estão aceitando bem o alimento e mantendo ganho de pesoCultura rústicaSegundo Cardoso, a cultura do girassol é rústica e não dá muito trabalho. ‘‘O plantio é feito com cinco sementes por metro linear, com espaçamento de 80 centímetros até 1 metro nas entrelinhas. Com 35 a 40 dias do plantio joga-se uma adubação de cobertura. É preciso fazer também uma boa correção do solo. Aos 50 dias deve-se fazer uma adubação de boro, importante para o desenvolvimento da cultura’’.
Conforme o agropecuarista há pouco trabalho para controle de pragas e doenças, e o terreno fica limpo. Uma dificuldade está na hora da colheita, já que 10% dos capítulos acabam ficando no campo e é preciso fazer catação. A colheita é feita com máquina forrageira, a mesma usada para colher milho e sorgo. ‘‘Importante é observar o ponto de colheita.’’
José Cardoso Neto vai usar a silagem também para o gado de engorda, cruzado com o limousinNa engordaA Fazenda Santa Izabel, da família Cardoso, em Cafeara, Norte do Paraná, tem criação de gado limousin PO, tratado no cocho, preparado para participar de julgamentos em exposições. Há também gado nelore para cruzamento industrial com o limousin. A propriedade tem ainda as culturas convencionais de milho e soja, além das pastagens.
Este ano, a silagem de girassol será usada também no inverno, para suplementar o gado comum, de corte, da propriedade. Neto pretende engordar, a partir de junho, 500 bois, que receberão silagem de girassol no seu cardápio diário.
Safras e plantioDe acordo com recomendações de uma empresa de Curitiba, que desenvolveu uma variedade de girassol forrageiro, a safrinha é plantada de janeiro a março, dependendo da região, clima, regime de chuvas e disponibilidade de área. A colheita é feita entre maio e julho.
‘‘O girassol pode se encaixar como safrinha no período após a colheita de outras culturas, especialmente no Brasil Central, proporcionando o melhor aproveitamento da terra’’, afirma Júlio Cesar Alberti Gómez, diretor da Sinuelo - Genética e Tecnologia Agropecuária, de Curitiba.
Para o plantio do girassol, o solo deve ser argiloso, de textura média, bem drenado e que não estar sujeito a inundações. Deve-se evitar solos muito compactados. ‘‘Por apresentar sistema radicular pivotante (até dois metros de produndidade), o girassol é tolerante a períodos secos, sendo neste particular bem superior ao milho,’’ garante Gómez.
Antes do plantio é conveniente fazer aplicação de um herbicida, recomendado por técnicos, para o controle de invasoras de folha estreita. A cultura deve ser mantida limpa até o 40º dia, quando ultrapassa seu período crítico.
TolerânciaA faixa ideal de temperatura situa-se entre 13 e 30 graus centígrados. O girassol é tolerante a geadas até o início da fase reprodutiva (pré-floração ou surgimento do botão floral) e após 10 dias do florescimento. O girassol depende de insetos polinizadores para uma boa produção de grãos, fato que favorece a produção de mel (até 30 kg/ha) de alta qualidade.
O mesmo equipamento (plantadeira) usado para o milho, segundo Gómez, serve para o plantio do girassol. Ele recomenda o uso de discos (peneiras) com furação específica para semente de girassol.
Antes da adubação é preciso análise prévia do solo, para avaliar os nutrientes necessários. O girassol, conforme Gómez, pode ser comparado ao milho em termos de exigências nutricionais. ‘‘É uma planta exigente em fertilidade, devendo-se evitar seu plantio em terras de primeiro cultivo, principalmente compactadas’’.
O solo de cultivo deverá ter pH superior a 5,2, sendo ideal entre 6,2 e 6,5. O nitrogênio, de preferência, deverá ser aplicado 30% no sulco e o restante até 30 dias após a emergência, quando for em solo arenoso, ‘‘quando ainda é possível entrar na cultura com equipamentos.’’
Nutrientes, pragas e doençasO girassol é sensível a baixos níveis de boro no solo, ‘‘característica comum em nossas principais regiões agrícolas’’, apresentando como resultado sintomas de deficiência nas fases de florescimento e maturação. Os capítulos podem se apresentar deformados ou com a região central com grãos chochos. No caso de estresse hídrico, aparecem pequenos cortes transversais, logo abaixo da inserção dos capítulos, podendo até provocar sua queda.
O boro deverá ser aplicado via foliar aos 30 dias. A recomendação é de 1,2 kg do boro/ha. ‘‘É recomendável também aplicar de 20 a 30 kg de enxofre/ha.
As pragas que atacam a cultura são as lagartas preta, percevejos da soja e a vaquinha. O uso de inseticidas deverá ser orientado por técnicos. As doenças mais importantes são as podridões de caule e capítulo por temperatura amena e alta umidade, além de mancha de alternária por alta temperatura com umidade.
ColheitaNo processo final de corte e ensilagem do girassol, segundo Gómez, é importante saber o ponto ideal de colheita. A lavoura estará pronta quando atingir maturação fisiológica e apresentar teor de matéria seca em torno de 30%.
Para colher, o capítulo deverá estar curvado e seu dorso amarelo-queimado. Deverá estar completo de sementes (aquênios) cheias e maduras, e perder o aspecto floral. ‘‘Neste estágio as pétalas já caíram e a proteção da frente das sementes (flores tubulares) está caíndo’’, avisa Gómez.
As folhas inferiores da planta estarão secas e as demais apresentarão pontos de secagem, o mesmo ocorrendo com o caule. ‘‘É a maturação fisiológica e o momento de cortar.’’
Para corte e picagem, recomenda Gómez, pode-se usar máquina siladora, empregada em outras culturas como o milho e sorgo, já que ainda não existe máquina específica para o girassol. Mas a plataforma deverá ser regulada no seu ponto mais alto, acima de 40 cm.
Como o centro de gravidade do girassol é mais alto do que o milho, é importante observar a melhor condição de trabalho, evitando que os capítulos tombem e caiam para fora da siladora. ‘‘Ideal é que os capítulos tombados fora da siladora sejam recolhidos à mão e recolocados na máquina.’’
Para ensilarA silagem, segundo Gómez, poderá ser feita nos mesmos moldes usados para o milho, sorgo e outros produtos similares, usando silos trincheira, bunker ou de superfície.
‘‘O silo deverá ter um grau de inclinação para escoamento ou drenagem do excesso de chorume, como ocorre também com outros materiais ensilados com 70% de umidade. Também poderão ser adicionados inoculantes microbianos (lacto bacilo), bem como a mistura do girassol com o próprio milho ou sorgo’’, avisa.
O girassol forrageiro poderá ser servido aos animais in natura, cortado e picado como qualquer outra forrageira. A sobra da lavoura poderá ainda ser aproveitada na forma de rolão, colhendo-se os capítulos completamente secos e os triturando como se faz com o sabugo de milho.Dorico da SilvaValorA silagem do girassol contém 12% de proteína. O processo de elaboração é semelhante ao do milhoCláudia Barberato

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