Sigatoka negra ameaça bananais do Paraná
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sexta-feira, 03 de junho de 2005
Jacira Werle<br>Reportagem Local 
Monitorada desde que chegou ao estado do Paraná em agosto do ano passado, a sigatoka negra ainda preocupa, mas o acompanhamento de lavouras revela que a doença pode ser administrada. O Departamento de Defesa Sanitária (Defis) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) não possui um levantamento específico sobre as perdas já provocadas pela doença nos bananais do Estado. Porém, o engenheiro agrônomo Paulo Gatti Paiva, de Cornélio Procópio, admite que o produtor poderá ter um aumento nos custos. ''o controle da sigatoka exige mais atenção no manejo'', alerta.
De acordo com o chefe de vigilância fitossanitária, Adriano Munhoz Pereira, ainda é cedo para a doença ser avaliada de modo correto. Ele esclarece que, no Paraná, a doença dos bananais está em estágios iniciais de desenvolvimento. ''A sigatoka negra precisa de um tempo para mostrar todo o seu potencial. Até agora ela ainda não provocou danos maiores'', avalia.
A sigatoka negra, explica Pereira, tem os sintomas parecidos com os de outra doença: a sigatoka amarela. Esse fato gera certa confusão para identificar as duas doenças quando apenas os primeiros sintomas são visíveis. Outro problema apontado pelo técnico é que a sigatoka negra, além de ser pouco conhecida no Paraná, é muito mais severa do que a amarela, podendo então se sobrepor à outra doença.
Todo o temor com relação à sigatoga negra se deve ao fato de ela ter devastado os bananais na Amazônia em dois anos. Esse fato aconteceu em 1998, 33 anos depois da doença ter chegado à América Central. A doença foi identificada pela primeira vez na Ásia, em 1963.
A esperança dos engenheiros agrônomos está no fato de o clima no Paraná ser diferente dos demais locais onde a doença já se manifestou e mostrou-se danosa. ''Como no Paraná é mais frio do que na Amazônia, onde ela devastou bananais, estamos observando o fungo e esperamos que o desenvolvimento dele seja mais lento'', argumenta o agrônomo Paulo Paiva. Já o chefe de vigilância fitossanitária, Adriano Pereira, acredita que fungo esteja passando por um período de adaptação. '' Precisamos de dois a três anos para avaliarmos de modo correto a ação e os danos da doença'', estima.
Segundo Pereira, os bananais do Paraná são monitorados desde antes da chegada da sigatoka negra ao estado. Há dois pontos de observação já instalados, um em Guaratura (litoral) e outro em Andirá (36 km ao oeste de Jacarezinho). Técnicos da Emater e da Seab acompanham semanalmente o desenvolvimento da doença.
Como ainda não é conhecida uma forma de eliminar a sigatoka dos bananais, os técnicos asseguram que só é possível trabalhar para conviver e dininuir os prejuízos provocados pela doença. Pereira antecipa ainda que existem variedades resistêntes à praga, mas que elas precisam ser aceitas pelos consumidores.


