Neri CardosoAo vivoO Show rural é uma lição de tecnologias ao vivo, para orientar os visitantesA Cooperativa Agropecuária Cascavel (Coopavel) realizou durante toda a semana, no seu Centro de Experimentação e Treinamento Agropecuário (Ceta), na BR-277 (saída de Cascavel para Curitiba), o Show Rural. O Ceta é uma ‘‘escola rural a céu aberto’’, com área de 72 hectares, campos experimentais de diversas culturas e criações, cujos resultados são apresentados anualmente a agropecuaristas, assim como produtos das indústrias de máquinas e insumos. Os produtores são estimulados ao emprego de técnicas modernas e à diversificação.
A Coopavel, com 3.700 associados, realiza o evento em colaboração com o sistema cooperativista da região, órgãos oficiais de apoio à agropecuária e empresas privadas. No Show Rural é demonstrado ‘‘tudo o que a pesquisa desenvolve em termos de tecnologia, para aumentar a produção, produtividade e qualidade, que resultam em competitividade’’, observa o presidente da cooperativa, Dilvo Grolli. Durante a semana, a projeção era de que até ontem, último dia do evento, cerca de vinte mil pessoas tivessem passado pelo Ceta, provenientes também de outros Estados, e do Paraguai e Argentina.
TecnologiaO primeiro Show Rural aconteceu em 1989. De acordo com o gerente da Coopavel, Rogério Rizzardi, que também é um dos coordenadores do evento, no Show Rural os participantes, além de conhecerem novas tecnologias, ‘‘são convencidos a fazer melhor o que já fazem’’.
Neri CardosoLavouras de milho (no ponto de colheita) e de soja, na exposição promovida pela Coopavel
Um dos resultados apresentados no Show Rural é a produtividade da soja e do milho cultivados pelos associados da cooperativa: 3.500 quilos por hectare de soja e 10 mil quilos por hectare para o milho. Estes resultados são três vezes superiores aos de 1989.
Outra tecnologia que vem chamando a atenção dos cooperados é o plantio direto. No município de Capitão Leônidas Marques, por exemplo, área de atuação da cooperativa, até 1995 havia apenas uma plantadeira para este tipo de técnica. Hoje são pelo menos quinze máquinas.
O produtor Otto Budach, que participa anualmente do Show Rural, foi um dos agricultores que se convenceram, no Show Rural, das vantagens do plantio direto. Entre outros ganhos, Otto relata que plantar sobre os restos de culturas anteriores aumenta a fertilidade do solo, elimina pontos de erosão, reduz a um terço os gastos com óleo diesel. O custo final, calcula, fica 30% menor que o custo da prática convencional.
MinifazendaA Emater participou do Show Rural pelo terceiro ano consecutivo, montando uma minifazenda em 14 mil metros quadrados, na qual procurou mostrar aos produtores rurais, principalmente os pequenos, ‘‘que é possível obter maior renda e melhor qualidade de vida no campo’’, observou Renato Jasper, chefe regional e agrônomo.
No local, os produtores puderam conhecer experiências em saneamento ambiental, avicultura caseira, transformação de produtos de origem vegetal e animal, armazenagem, aproveitamento de espaços e redução de custos.
A Emater também mostrou culturas de ervas medicinais, minhocário, apicultura, manejo e recuperação de solos, piscicultura, bovinocultura de leite, fruticultura e produção de hortaliças.
Também foi montada uma réplica de ‘‘vila rural’’, programa que o Governo do Estado procura ampliar para todo o Paraná, como forma de manter trabalhadores rurais em seus locais de origem com boas condições de habitação, escola e atendimento à saúde.
Edson MazzettoEm meados da semana a chuva parou, e o número de visitantes à exposição aumentou
Pesquisa e tecnologiasO presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, observa que o uso de tecnologias ‘‘é obrigatório para quem quiser produzir mais e com qualidade, para competir bem no mercado. Para que isso ocorra, o trabalho da pesquisa deve ser colocado ao alcance dos produtores.’’
A necessidade de investimentos na pesquisa foi salientada também pelos senadores José Eduardo de Andrade Vieira e Osmar Dias, que estiveram no Show Rural, assim como o governador Jaime Lerner e o Secretário da Agricultura do Estado, Hermas Brandão.
Vieira e Dias enfatizaram que esta é uma exigência para que o País possa participar da globalização da economia, que exige poder de competição no mercado. Vieira reconheceu que há carência de recursos oficiais para a pesquisa agronômica, ‘‘da mesma forma que ocorre na Saúde ou em outras áreas’’. Ele é autor de projeto criando incentivos fiscais para ampliar a pesquisa, e observou que, apesar da importância da matéria, até hoje projeto não foi aprovado.
Segundo José Eduardo, o Governo - ‘‘e especialmente o Presidente da República’’ - estão conscientes da necessidade de investir mais na pesquisa’’. Ele acha, porém, que houve avanços, como por exemplo sua orientação à Embrapa, quando ministro da Agricultura, para que os programas de pesquisa fossem direcionados ‘‘a demandas regionalizadas’’. Também citou como ‘‘extremamente importante’’ o zoneamento agrícola que introduziu, e a obrigatoriedade de embalar a carne comercializada, ‘‘que aos poucos se alastrará para todo o País.’’
O secretário Hermas Brandão permaneceu dois dias no Show Rural, conversando com agropecuaristas. Segundo Brandão, o evento serve para que os produtores ‘‘façam o teste de São Tomé, pois, para eles, geralmente vale a frase ‘ver para crer’’’. Conhecendo na prática os resultados da pesquisa e das novas tecnologias propagadas, o homem do campo ‘‘se anima a introduzi-las em sua propriedade’’, acrescentou, observando que o Show Rural antecipa estes resultados que só depois de alguns meses poderiam ser conferidos pelos agropecuaristas.

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