Shiitake é cultivado em sabugo de milho
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de setembro de 2001
Carolina Avansini<br> De Londrina 
Conhecido por suas propriedades culinárias e medicinais, o cogumelo shiitake também pode ser uma alternativa de diversificação para pequenas propriedades rurais produtoras de milho. Uma tecnologia desenvolvida pela professora e pesquisadora Luzia Doretto Paccola Meirelles, do departamento de Biologia Geral da Universidade Estadual de Londrina (UEL), propõe cultivar os cogumelos no sabugo da planta.
Ela decidiu fazer a experiência porque o Paraná é o maior produtor brasileiro do grão. ''É uma forma de produzir proteína de alta qualidade em um material muitas vezes jogado fora'', disse. Os resultados obtidos pela pesquisa demonstraram que o sabugo produz cogumelos com a mesma qualidade dos similares cultivados da forma tradicional, em toras de eucaliptos.
A vantagem de utilizar o milho como substrato é o menor tempo necessário para iniciar a colheita. Enquanto os cogumelos semeados na madeira levam seis meses para começar a produzir, no sabugo são necessários apenas três meses. Após a colheita, o composto resultante pode ser utilizado como adubo.
Cultivo A professora da UEL ensinou que as sementes de shiitake devem ser colocadas em sabugos inteiros ou moídos, esterilizados a 127 graus e cobertos com sacos plásticos. ''Quando o substrato começa a soltar um líquido marrom-amarelado, é porque está na hora de colher'', explicou.
Para cada colher de sopa de sementes é necessário 1,5 quilo de sabugo de milho. Após inoculadas e embaladas no plástico, que deve ser retirado assim que começa a brotar, as colônias de cogumelos precisam ser mantidas em um barracão à sombra, com temperatura entre 25 e 28 graus.
Aos produtores interessados, Luzia avisa que a tecnologia só estará disponível a partir do ano que vem. ''Estamos pesquisando qual linhagem será mais produtiva nesse tipo de substrato.''
Desidratação De acordo com a pesquisadora, o quilo do shiitake in natura está sendo vendido a R$ 10 na região de Londrina. Outra possibilidade de comercialização é na forma de cogumelos desidratados, mais valorizados pelo mercado. Nesse caso, o produtor pode retirar a água do alimento utilizando a própria energia solar, deixando os cogumelos no sol em uma peneira coberta por tecido, voltada para baixo.
Outra alternativa é construir um desidratador caseiro. Para isso, é preciso providenciar uma caixa com lâmpada, timer e exaustor para retirar a umidade. No equipamento, os cogumelos devem ser deixados por oito horas à temperatura de 60 graus. Luzia informou que são necessários dez quilos de cogumelos frescos para obter um quilo do produto desidratado.
Serviço Com o objetivo de divulgar a cultura inclusive para as pessoas interessadas em produzir para consumo próprio, a UEL começou a pesquisar o shiitake há sete anos. Atualmente, a universidade fornece sementes ao produtor pelo preço de R$ 4,50 o frasco de 800 gramas, que precisa ser encomendado com antecedência.
Informações podem ser obtidas pelo telefone (43) 371-4439, com a própria Luzia ou com Ideval Azarias de Souza. Às quintas ou sextas-feiras, eles oferecem consultoria sobre o tema, mas nesse caso, é preciso marcar horário.


