Setores pedem investimentos em defesa
Representantes das cadeias produtivas de bovinos, suínos e aves argumentam que a defesa sanitária se desenvolveu nos últimos anos e é motivo de referência para o País e também para o Paraná. No entanto, avaliam que ainda faltam investimentos para que a questão sanitária chegue à uma condição ideal.
Para o presidente da Associação Nacional dos Produtores de Bovinos de Corte (ANPBC), José Antonio Fontes, o Paraná é, atualmente, um dos estados mais desenvolvidos na questão sanitária no País. Mesmo assim, ele afirma que ainda são necessários investimentos em pessoal para fiscalização de fronteiras e em equipamentos para efetuar o controle do trânsito de animais - veículos, computadores e aparelhos de comunicação - para que a operação de defesa seja confiável e ágil. ''Afinal, nosso objetivo é conseguir o status de livre da febre aftosa sem vacinação'', lembra.
Segundo Fontes, o governo não tem a velocidade necessária para suprir as necessidades que a pecuária de corte exige em termos sanitários. ''É preciso haver um equilíbrio entre a conscientização do pecuarista e os instrumentos de controle do Estado para chegarmos ao ponto máximo de sanidade'', afirma.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Sína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto, avalia que apesar dos grandes avanços em sanidade, essa é uma demanda que sempre preocupa. ''Eu nunca fico tranquilo com essa questão sanitária. A situação realmente melhorou, mas a gente precisa ficar sempre atento e não deixar regredir. Hoje em dia estamos todos no mesmo barco, produtor, agroindústria e serviço público precisam trabalhar unidos'', orienta.
Diferencial
Para o presidente executivo da União Brasileira de Avicultura (Ubabef), Francisco Turra, o cuidado com a sanidade é um dos diferenciais que levou a avicultura brasileira a ficar entre as líderes do mundo. Ele lembra que o País não registra um caso da doença Newcastle em escala comercial há cerca de 10 aos e nunca teve incidência de gripe aviária. Segundo Turra, o nível de sanidade animal brasileira é referência no mundo e esse status é resultado de uma série de ações conjuntas, entre governos estadual e federal e entidades privadas, para evitar qualquer problema.
''A sanidade, além da qualidade e da sustentabilidade, é um dos pilares da avicultura brasileira'', ressalta. O Brasil possui abertura no mercado, por meio de acordos fitossanitários, para 154 países e está em processo de abertura para Malásia, Indonésia e Singapura. Entretanto, Turra afirma que o setor não está imune ao risco e que existem carências de laboratórios e de investimentos para pesquisas sobre fabricação de vacinas. ''O setor sempre briga muito em razão dos escassos recursos para defesa sanitária. O Brasil precisa se proteger porque a sanidade é um patrimônio nacional''.(M.F.)





