A partir de uma demanda apresentada por entidades representativas dos produtores rurais, o governo do Paraná criou uma proposta para solucionar as principais dificuldades da cadeia produtiva da carne com o objetivo de estimular a pecuária de corte e frear o movimento de contínua diminuição do rebanho no Estado. O projeto ''Carne Paraná: Modernização da Bovinocultura de Corte'' foi elaborado pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e aprovado por entidades representativas do setor durante o último Fórum do Agronegócio.
O documento segue agora para avaliação em diversas regiões do Estado. O primeiro seminário foi realizado em Londrina na última quarta-feira e reuniu produtores, profissionais da assistência técnica, representantes do segmento produtivo e de órgãos estaduais. ''O trabalho vem sendo desenvolvido desde o ano passado e pretendemos apresentar uma proposta para toda a cadeia, um diagnóstico a ser discutido nas regiões para acumular sugestões e firmar parcerias'', explica o zootecnista da Seab, José Antonio Garcia Baena.
O projeto apresenta ações a serem adotadas pelos produtores, pela indústria e pelo Estado, com o intuito principal de aproximar a relação entre os elos da cadeia visando o aumento da qualidade da carne e a valorização do produto adquirido pelos frigoríficos. O Estado deve agir como mediador dessa relação. Segundo Baena, um dos gargalos que atrapalha o desempenho da pecuária de corte é a falta de técnicos para atendimento aos produtores, por esse motivo, as ações terão início nas regiões com maior corpo técnico.
O presidente do Sindicato Rural de Londrina, Narciso Pissinati, afirma que a pecuária precisa de apoio há muitos anos, especialmente diante da concorrência que enfrenta em relação às lavouras de cana-de-açúcar e de soja, que apresentam alta rentabilidade aos agricultores. ''Falta gestão nas propriedades, enfrentamos concentração de frigoríficos e terra cara. A pecuária precisa ter rentabilidade e esse projeto é um fator inicial, mas exige uma mudança de comportamento que envolva toda a cadeia'', avalia.
Já o presidente em exercício da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Roberto Palazzo de Almeita Barros, sugeriu que o Estado promova mais reuniões com representantes do setor produtivo. ''Queremos que os produtores sejam ouvidos para que o Estado tenha dados reais da situação do setor. O diálogo deveria ser maior'', argumenta.
Para o médico veterinário do Instituto Emater, Paulo Hiroki, a diminuição do rebanho é muito preocupante e demonstra a necessidade de ações para recuperação da pecuária no Estado. Segundo ele, a falta de rendimento e as dificuldades da atividade pecuária levam muitos agricultores a abandonarem a atividade e partirem para o meio urbano. ''Precisamos auxiliar o pecuarista a ganhar mais dinheiro e melhorar o conforto para que ele permaneça na atividade''.
Hiroki argumenta que há mais de 10 anos, o preço da arroba do boi permanece estável na faixa dos R$ 90. Como o índice de produtividade também está estagnado nesse período, a receita das famílias produtoras sofreu grande redução desde então. O veterinário alega que as questões sanitárias e tributárias ainda precisam ser amplamente discutidas.

Imagem ilustrativa da imagem Setor produtivo da carne inicia debate para modernização
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