Setor necessita de modernização
O futuro da produção de leite no Brasil depende fundamentalmente do investimento em tecnologia
Lucinéia Parra
De Maringá

Divulgação
Sebastião Teixeira Gomes: ‘‘Tecnologia é fundamental para melhorar a produção de leite’’Essa é a opinião do professor da Universidade Federal de Viçosa (MG), Sebastião Teixeira Gomes, que esteve na última quarta-feira em Maringá para dar uma palestra dentro do 23º Encontro Regional de Produtores de Leite, realizado no Parque de Exposição Francisco Feio Ribeiro.
Segundo Gomes, até o pequeno produtor tem chance de melhorar o seu rebanho e consequentemente obter maior produção e produtividade, se passar a investir em tecnologia. Para alcançar este objetivo, Gomes afirma que os pequenos produtores podem unir-se para viabilizar a adoção da tecnologia necessária à produção de leite em maior escala, com qualidade e a um custo reduzido. Além disso, o professor afirmou que em qualquer situação, é preciso que o produtor faça um planejamento dos investimentos necessários e, a partir de então, trabalhar com uma perspectiva de lucro e melhoria do rebanho a médio prazo. ‘‘O pequeno produtor, que não tem condições de investir tudo de uma vez, não pode pensar em adotar a tecnologia aos poucos e obter um resultado positivo de um ano para o outro. A perspectiva deve ser de 4 a 5 anos’’, disse.
CondiçõesGomes disse que o Brasil tem condições de melhorar a produtividade de leite, desde que os produtores passem a ter melhor conhecimento da atividade leiteira industrial. ‘‘O que mais limita o pequeno produtor de leite não é só a falta de capital para investir, mas a falta de capital humano’’, observou. Baseado em pesquisa com produtores de leite de Minas Gerais, Gomes afirmou que o resultado revelou uma ‘‘profunda falta de conhecimento tecnológico’’ por parte deles.
Uma das alternativas que implica em melhoria da qualidade do leite e redução de custos, é o coletivismo, segundo Gomes. Apesar do custo alto do tanque de resfriamento, o professor aponta a formação de cooperativas por parte dos produtores para viabilizar o uso desta tecnologia. ‘‘A coletividade é uma alternativa aos pequenos produtores, mas como ainda há muita falta de responsabilidade por parte de alguns cooperados, o sistema poderia funcionar com a previsão de multas pesadas para o produtor infrator’’, recomenda. As multas, segundo o professor, devem inibir a atuação do produtor relapso que não apresenta um leite de boa qualidade e compromete a produção dos demais.

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