Setor não usa ''ferramentas'' disponíveis
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sexta-feira, 15 de março de 2002
Reportagem Local 
O merchandising, a mídia interativa e mesmo a mídia tradicional são ferramentas pouco utilizadas pelo agribusiness brasileiro. Embora represente 27% do PIB e empregue 37% da mão-de-obra, o agronegócio brasileiro ainda ignora as ferramentas da comunicação tais como merchandising e mídia interativa, além da própria mídia tradicional em rádio, TV e jornal. Ao mesmo tempo, a área de comunicação pouco conhece do mundo do agribusiness que pode e deve explorar as potencialidades da comunicação como qualquer outra atividade.
As conclusões foram tiradas do painel As Ferramentas de Comunicação no Marketing do Agribusiness, durante o 7º Congresso Brasileiro de Marketing Rural, promovido durante a semana em São Paulo pela Associação Brasileira de Marketing Rural (ABMR), reunindo mais de 300 profissionais.
Segundo Maria Égia Chamma, vice-presidente da POPAI Brasil, entidade que congrega empresas especializadas em promoção no ponto-de-venda, da mesma forma que os supermercadistas os produtores rurais podem usar as ferramentas do marketing, como o merchandising, com resultados efetivos. Pesquisas recentes mostram que no varejo 85% das decisões de compras são tomadas no ponto-de-venda, percentual que fica em 34% em se tratando de farmácias, padarias e lojas de conveniências.
Outra pesquisa apontou que uma promoção associada a um anúncio de jornal pode ampliar as vendas entre 17% e 121%, incremento que pode subir para 470% com o uso combinado da propaganda com um eficiente trabalho de promoção do produto/serviço no ponto-de-venda.
O presidente da Associação de Mídia Interativa, Antonio Rosa, disse que a tecnologia, cada vez mais barata, está acessível para qualquer porte de empresa de qualquer setor de atuação porque baseia-se na informação que não tem fronteiras. Rosa acrescentou que o homem do campo, que necessariamente já não precisa mais estar na zona rural, pode controlar a sanidade e o peso do seu rebanho através de satélite. Ele tem, pelo menos, 459 sites especializados em agricultura à sua disposição, o que lhe permite gerenciar com maior eficiência. Não tenho dúvidas de que a internet, com 23 milhões de usuários no Brasil e 500 milhões no mundo, se consolida como mais uma grande mídia, disse.
Para Flávio Rezende, diretor da Divisão Ética do Grupo de Mídia, o agronegócio está se tornando uma das principais competências brasileiras e a propaganda quer estar junto. A seu ver, o setor tornou-se desejado e precisa cuidar da sua marca, mas não há uma receita pronta. É preciso fazer um mix de mídias de acordo com a característica de cada produto/serviço e seus respectivos públicos.
O homem envolvido com a produção rural vem mudando seu perfil rapidamente:
56% dos consumidores de insumos agropecuários assistem a TV diariamente no período de safra (71% na entressafra)
43% ouvem rádio todos os dias
58% costumam ler jornais
33% lêem revistas especializadas
Fonte: Flávio Rezende/Divisão Ética do Grupo de Mídia.


