Setor mandioqueiro orienta 'plantio com responsabilidade'
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sábado, 23 de novembro de 2002
Reportagem Local 
O mercado voltou a pagar mais pela raiz de mandioca. Em Cianorte, esta semana, alguns produtores receberam R$ 120,00/tonelada - comparados aos R$ 45,00/t em agosto/setembro -, o que motivou aumento da área e plantios (tardios) aproveitando chuvas da semana passada. A época normal é entre maio e setembro.
Para evitar excesso de produção e desorganização do mercado - o que derruba os preços e provoca novo ciclo de dificuldade -, as lideranças do setor estão sugerindo ''plantios com responsabilidade''.
Segundo o empresário Ivo Pierin Júnior, presidente da Comissão Tecnica da Mandioca da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), a sugestão é a busca de maior entendimento entre lavoura e indústria, visando parcerias e integração. Ou, no mínimo, um entendimento informal, o que criaria pre-condições para a futura organização da cadeia produtiva da mandioca.
Vários fatores contribuíram para o aumento da demanda e consequente elevação dos preços. Em primeiro lugar, a oferta foi menor este ano, como consequência de um ciclo de preços baixos nas safras anteriores.
O mercado enxuto coincindiu com aumento da demanda motivado pela elevação dos preços dos derivados de milho e de trigo.
Além dos derivados de trigo, também os derivados de milho perderam espaço para a fécula. Ou seja, a fécula consolidou a sua participação na farinha de trigo e já ocupa uma pequena fatia do milho.
Estimativa da Associação Brasileira de Amido de Mandioca (Abam) apontam a participação de 3% da fécula de mandioca nas 7,5 milhões de toneladas de farinha de trigo.
A Abam e a Faep não confirmam, mas agentes de comercialização da farinha admitem que moinhos estão misturando fécula à farinha ''com mais efetividade e frequência''.
No entanto, a indústria moageira - que oficialmente não assume a adição - não é a única, nem a principal fonte da mistura - já aceita tecnicamente. A mistura ocorre no segmento de macarrão, biscoitos e massas em geral. Alguns afirmam que o resultado final é uma produto de melhor qualidade; outros, misturam simplesmente por questão econômica.


