Setor investe para reduzir impacto com o êxodo rural
Silvia Capelali, engenheira agrônoma do Emater de Marialva, afirma que a situação da falta de mão de obra para a colheita da uva ainda não chegou a um nível crítico, mas poderá chegar se o êxodo rural continuar em elevação. A especialista afirma que para minimizar possíveis impactos com esse cenário muitos produtores deverão, em um futuro próximo, adotar o cultivo de uvas rústicas. A escolha, explica ela, é porque a variedade requer menos cuidados durante o ciclo do que uma uva tradicional. Com isso, o número de trabalhadores para tocar um parreiral pode ser menor, cerca de duas pessoas, por exemplo.
Enquanto isso não acontece, Silvia destaca que para tentar reverter esse quadro, a Emater, por meio de palestras, cursos e treinamentos, tem buscado incentivar os jovens a ingressar na viticultura. Segundo ela, a ação pretende levar para as propriedades mão de obra especializada. ''Aqueles agricultores que têm o suporte de mão de obra de familiares estão em melhores condições'', sublinha.
O produtor Jair Imbriani reclama que a falta de conhecimento dos trabalhadores no manejo do parreiral é um problema em sua propriedade. Ele frisa que as famílias que já tinham o domínio da atividade já foram embora para a cidade. ''Tem muitas pessoas saindo. As que conseguimos contratar nem sempre sabem mexer com os parreirais''. Imbriani já começa a ficar preocupado com a colheita que está chegando, ainda mais porque estima ter uma safra recorde. Em três hectares de área plantada com uva, o produtor espera colher 80 toneladas, 25 a mais do que em 2011.
Exigências
O viticultor acrescenta que o grau de exigência das famílias por melhores condições de trabalho aumentou muito. Segundo ele, se o produtor não tiver condições adequadas de moradia, parreirais de fácil manejo e propriedade localizada perto da zona urbana, dificilmente vai conseguir segurar algum empregado. Mesmo tendo boa parte dessas exigências, ele ainda tem dificuldade para achar gente para colher.
Na mesma situação está o produtor José Gonçalves Pachecoque. Para segurar os poucos colaboradores que tem, vem investindo em equipamentos para melhorar as condições de trabalho em sua propriedade. ''Investi em roçadeiras, tratores e um caminhão adequado para escoar a produção''. Pacheco acrescenta que aquele produtor que investe na qualidade de vida dos funcionários, pode ter menos problema com mão de obra. (R.M.)





