A região Norte do Paraná conta com cerca de três mil produtores florestais, que utilizam o sistema integrado lavoura, pecuária e floresta (iLPF) ou de maciço florestal. Se no passado, as vendas de mudas para o trabalho atingiram a casa de 1,2 milhão de unidades por ano, atualmente, o número gira em torno de 300 mil unidades.

Na região, os principais mercados compradores de madeira são de energia (agroindústria e secagem de grãos) e também para o polo moveleiro, apesar da demanda ter diminuindo bastante justificado pelo desaquecimento recente do setor.

Para o engenheiro agrônomo do Instituto Emater Fernando Martin, que por muitos anos trabalhou no hoje extinto Programa de Autossustentabilidade de Matéria-Prima para o Polo Moveleiro do Norte do Paraná (Simflor), a publicação do decreto que cria uma política para florestas plantadas pode fazer toda a diferença nos próximos anos em todo o País. "O Plano Nacional de Desenvolvimento de Florestas Plantadas facilitará a integração entre os produtores e a agroindústrias", projeta ele.

Na opinião de Martin, o Paraná precisa urgentemente desenvolver um diagnóstico do setor florestal para descobrir exatamente qual é a demanda por madeira e, assim, os produtores poderem criar uma programação exata de produção. "O produtor deve estar tranquilo, saber que quando investir, terá retorno financeiro garantido. Isso faz toda a diferença para que pequenas e médias propriedades incluam a exploração florestal em seu sistema produtivo".

Outra preocupação está ligada ao avanço dos grãos em áreas de morro, que poderiam ser utilizadas na produção florestal. O engenheiro agrônomo comenta que produtores estão utilizando tais áreas para plantar soja, diminuindo a sustentabilidade desses locais, já que as técnicas e maquinários utilizados no geram perda de fertilidade desses solos, além de erosão. "Outro fator crítico são os preços de comercialização, que oscilam muito de região para região. Em Maringá, por exemplo, atinge o preço de R$ 110 a tonelada da madeira voltada para energia. Em Apucarana, o valor cai para R$ 75 a R$ 95 a tonelada. Já nas serrarias os preços retrocederam e continuam baixos, desestimulando o produtor para realizar o manejo (desbaste), e assim fomentar o volume de toras maiores".

Mesmo assim, a expectativa é que os preços melhorem a partir deste ano, inclusive com um novo fôlego nas exportações. "Houve um cenário complicado de preços, mas o mercado externo tende a melhorar, com o dólar mais valorizado, fazendo com que os americanos voltem a ser grandes compradores, retomando os bons números que tínhamos antes da crise internacional de 2008", completa Martin. (V.L.)

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