Setor exige política de comercialização
O pagamento de indenizações pelas perdas com a brusone é questão premente hoje entre os triticultores e dá o norte das ações das entidades que os representam. Porém, prosseguem as ações que visam atender as outras demandas dos produtores. Flávio Enir Turra, gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), que participou do painel do Tecnoshow, cita entre as prioridades alterações na política de comercialização do produto.
Segundo ele, é fundamental que sejam utilizados mecanismos que garantam a renda do produtor. Pode-se usar as AGFs (Aquisições do Governo Federal), contratos de opção e PEPs (Prêmio de Escoamento da Produção), exemplifica. Turra afirma que além da crise agravada pela quebra de safra, os produtores sofrem com preços baixos, abaixo do mínimo, e com estoques nacionais e externos que acabam interferindo negativamente no mercado. Os produtores plantaram com a expectativa de ser remunerados acima do preço mínimo, mas hoje não recebem mais que R$ 390 a tonelada, afirma. A expectativa é de que haja investimentos na produção e comercialização do produto.
José Maria dos Anjos, diretor do Departamento de Comercialização, Abastecimento Agrícola e Pecuária do Mapa, afirmou que o governo tem investido no apoio à comercialização do trigo. Segundo ele, na safra 2008/2009, foram retiradas do mercado 2,4 milhões de toneladas de trigo por meio de AGFs, contratos de opção e PEPs. Para a próxima safra deverá haver aumento nos limites de custeio e valorização do produto de acordo com a qualidade.
Baseado em dados do Banco Central (Bacen), Anjos afirma que os investimentos na comercialização do trigo têm aumentado. No ano de 2005, por exemplo, foram destinados ao setor mais de R$ 554 mil, no ano seguinte foram quase R$ 682 mil. Em 2007 destinou-se mais de R$ 919 mil e no ano passado foram investidos quase R$ 1,5 milhão.
De acordo com o Bacen, o custeio também registrou evolução. Em 2005 foram investidos R$ 622 mil; em 2006 houve redução para R$ 499 mil, recuperado em 2007 quando os investimentos foram de 701 mil; no ano passado, chegaram a R$ 1,2 milhão.
O representante do Mapa afirma que o governo determinou como apoio à safra 2009/10 a ampliação do limite do crédito de custeio de R$ 300 mil para R$ 400 mil para lavouras de sequeiro, e de R$ 450 mil para R$ 550 mil para lavouras irrigadas. O governo também se compromete a aumentar os preços mínimos de forma diferenciada, como incentivo à produção de trigo de melhor qualidade, e fazer revisão das normas de classificação. (R.C.)





