Rubens Dias de Morais vê com otimismo a tendência da atividade para os próximos anosA reação dos preços agrícolas, o aumento da produtividade dos grãos, os estoques mundiais em baixa e a saída do Governo das negociações são fatores que estão contribuindo para que a agricultura comece a viver um novo momento na próxima safra. A análise é do diretor da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Rubens Dias de Morais.
Com base neste novo cenário, o empresário acredita que o setor de comercialização de máquinas e equipamentos agrícolas deva crescer em torno de 30% no próximo ano.‘‘Este é um índice positivo, mas quero deixar claro que é relativo. O crescimento é com base nos dois últimos anos, quando as vendas foram muito pequenas’’, comenta Rubens.
O empresário participou da Expotécnica 97, que foi realizada na semana passada no municipío de Sabaúdia, no Norte do Estado, onde Morais analisou com otimismo as tendências da atividade agrícola para os próximos anos. ‘‘Em eventos como este temos a oportunidade de fazer contato com os produtores e conhecer suas necessidades, para buscarmos novas tecnologias’’, comentou.

Dorico da SilvaProfissionalismoNa opinião dos fabricantes e revendas, a Expotécnica atendeu as expectativas dos participantesAdequaçõesO setor de máquinas no Brasil caracterizou-se pelo trabalho direcionado a atender os grandes produtores. Segundo Rubens, este segmento sempre se mostrou mais disposto a adotar novas tecnologias, e desempenhou um papel de difusor, porque os produtores de maneira geral levam muito em conta o que o outro produtor faz, e os resultados alcançados.
Hoje a realidade é diferente; os produtores de maneira geral estão mais informados, e pequenos, médios e grandes sabem que precisam de tecnologia e produtividade para viabilizar suas áreas.‘‘ Considerando que 80% das propriedades no Brasil são pequenas, estamos em busca de tecnologias mais adaptadas a estas áreas’’.
Com este objetivo, Rubens Dias informa que a Jumil, empresa que dirige, está testando no Brasil um equipamento alemão para atender os pequenos e médios produtores. ‘‘Este equipamento vai permitir que um trator de 60 a 80 cavalos possa realizar operações de plantio com alta tecnologia. Vai ser uma revolução em termos de novidade no mercado ’’, destaca. A previsão é que o equipamento esteja disponível para o produtor já no início do próximo ano, para o plantio da ‘‘safrinha’’, a um custo bastante acessível.
Demanda reprimidaNo Brasil existe uma demanda reprimida bastante significativa. A queda dos juros cairam, as taxas fixas e a disponibilidade de recursos são favoráveis a todos os segmentos.
Mesmo que os preços dos produtos agrícolas sejam menores na próxima safra, Rubens não acredita em grandes oscilações de mercado para os próximos anos, enxergando ‘‘um horizonte mais regular e estável’’ até o ano 2000.
O avanço da área de plantio direto no País, também é um dado positivo, e a indústria brasileira tem hoje uma diversidade maior de equipamentos mais adequados aos diferentes tamanhos de propriedades.
Ele explica que, levando em conta o pequeno volume de vendas do último ano, um crescimento de 30% na comercialização de máquinas não é muita coisa, mas a tendência de crescimento é um fator bastante positivo. Comparando a comercialização de máquinas no Brasil com outros países a diferença é enorme, afirma. Na França, por exemplo, são comercializados anualmente 37 mil tratores; na Itália, 32 mil e no Brasil 12 mil. Considerando a área agricultável dos países citados, a diferença se acentua muito mais. ‘‘ O potencial do Brasil é enorme; temos tudo para superar as dificuldades hoje enfrentadas pela atividade agropecuária’’, completa. ‘‘A frota brasileira está obsoleta e precisa de renovação. O produtor sabe que tem que investir, para viabilizar sua atividade’’, comenta Rubens.
Outro participante da Expotécnica foi Martin Stremlow, diretor da Horizon - Máquinas Agrícolas, que representa na região a marca John Deere - SLC. Na sua avaliação, a Expotécnica foi uma excelente oportunidade para contatos com produtores. ‘‘Foi um evento profissional, que atraiu produtores realmente interessados nas novas tecnologias, sem aquele aspecto festivo de outras feiras.’’
A empresa de Stremlow mostrou toda a linha de tratores John Deere de 75cv, 85cv, 100cv, 120cv, 140cv. Mas o destaque foi o trator de 140cv modelo 7.500, que apresenta uma caixa de câmbio que permite troca de marcha sem embreagem, com 16 marchas para a frente e 16 de ré. O empresário comentou também a expectativa de comercialização para a próxima safra: ‘‘Nossa previsão é otimista, mas não eufórica. Acreditamos que o mercado permanecerá estável e isto é bom para todos’’, finaliza.

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