A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) vê com bons olhos o novo padrão de classificação do trigo, mas teme que a área de produção sofra redução porque muitos produtores podem desistir da atividade. ''A classificação se faz necessária porque é o espelho do que o mercado exige. O consumidor quer uma boa farinha, para fazer um bom bolo, um bom pão'', observa Pedro Loyola, economista da Faep.
A classificação, acrescenta ele, servirá para balizar as importações e para o estabelecimento de políticas públicas para o segmento, como o apoio à comercialização e aquisições do governo federal previstas na Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). Há uma preocupação, entretanto, quanto à adequação do próprio produtor. Loyola observa que com a padronização, a exigência quanto ao produto será maior e uma grande parcela do trigo pode ficar abaixo desse padrão e não alcançar nem o preço mínimo - ou seja, os produtores não conseguirão vender nem para o governo.
Com a mudança da regra, pondera o economista, os produtores terão que avaliar melhor antes de plantar. Na sua opinião, a medida vai beneficiar principalmente os produtores tecnificados. E no geral, vai estimular essa tecnificação e talvez novas zonas de produção possam surgir. As negociações do produto, por sua vez, poderão ser impulsionadas porque a indústria brasileira deverá comprar mais do trigo brasileiro. ''A farinha para pão, por exemplo, com a classificação atual, a indústria não compra porque não considera como farinha de pão'', frisa Loyola.
A comercialização, contudo, não é o único problema enfrentado pelos produtores de trigo no País. O clima, conforme o economista da Faep, influência 70% da produção. ''Muita chuva durante o desenvolvimento da planta é ruim''. Se ocorrer um problema climático, por exemplo, como o do ano passado, o governo terá que atuar com políticas públicas. E elenca ainda as dificuldades de armazenagem, que na sua opinião é hoje o gargalo do setor.
Loyola acredita que a nova classificação do trigo aliada à pesquisa também poderá fazer diferença. Talvez a pesquisa, na opinião dele, possa produzir variedades mais especificas para cada região. ''E o Paraná tem produtor tecnificado e todas as condições para produzir um trigo excelente'', pontua.
Loyola corrobora a opinião de representantes de outras entidades de que a concorrência do trigo brasileiro com o internacional é desleal, desde a produção até a comercialização. A subvenção, por exemplo, que o produtor brasileiro recebe é bem menor do que a do americano. Também reforça a importância de políticas que priorizem a compra do produto brasileiro, como o aumento da Taxa Externa Comum (TEC) e compras da indústria mais controladas.
O economista pontua a dificuldade - e necessidade - de se adquirir o seguro agrícola para o trigo. E destaca que o governo estadual junto com federal tem atuado nesse sentido. Que o governo federal tem pago 70% do seguro e o estadual 5%. (E.Z.)

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