A questão da comercialização será um ponto fundamental na formação de renda do agropecuarista em 2005. Com a queda no preço das principais commoditties, num ano de super safra no Brasil e no mundo, e o aumento nos custos de produção serão necessários mecanismos de apoio ao setor para que os produtores possam honrar seus compromissos. A opinião é do presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Edson Neme Ruiz. ''Não queremos ser pessimistas, mas trabalhar com as possibilidades reais de um ano difícil para a agropecuária,'' garante.
Além das oscilações de preços de mercado, nacional e internacional, o setor convive com as intempéries climáticas que da noite para o dia podem tirar a lucratividade tão esperada, baseada nos investimentos com insumos e manejo correto de produção, enumera Neme. No ano passado, por exemplo, a soja que prometia ótima rentabilidade sofreu com seca e chuva, além do ataque da ferrugem, que exigiu do produtor aumento nos custos de produção.
Com os preços em alta no mercado internacional e a demanda intensificada era hora de recuperar os investimentos e obter lucratividade, o que em muitos casos não aconteceu. Neste ano, com uma produção estimada em 130 milhões de toneladas no total e em que a soja participa com 50 milhões, tudo poderia ser diferente, mas veio a super-safra americana e novo ataque da ferrugem, o que fez com que o preço do produto tivesse queda no mercado internacional.
Com um preço mais baixo na venda, o produtor teve custo mais alto na implantação das lavouras. Estudos da Ocepar indicam aumento médio de 20% nesta safra. A preocupação agora está em ganhar na produtividade e driblar o problema da ferrugem.®MDBO¯ ®MDNM¯Daí a importância do monitoramento, insiste Neme.
Segundo ele, diante da crise pela qual passa o setor, com custos em alta e preços em baixa, ainda não é possível avaliar como será a situação dos produtores para o próximo plantio. ''Vai depender muito de como será a comercialização da safra'', argumenta. O agricultor comprou insumos com cotação acima de US$ 3 e está vendendo a produção a US$ 2,60.
Ruiz teme que aconteça o que chama de efeito dominó. Com altos custos e preços mais baixos o produtor pode não conseguir pagar suas contas e deixar de honrar seus compromissos. Segundo ele, o governo deve ser preparar com instrumentos de comercialização de alguns produtos para evitar uma inadimplência no setor, a exemplo do que ocorreu há alguns anos.
Por isso, o presidente da SRP defende propostas como a prorrogação de vencimentos das dívidas de custeio e investimento dos setores cujos preços estão abaixo do custo de produção, caso do trigo e algodão, além da soja e do milho.
A situação do trigo, destaca Neme Ruiz, é preocupante. O produto não tem comprador e está guardado em armazéns. Com a chegada da colheita da safra da soja, ele questiona onde este produto será colocado. No caso do café e a cana-de-açúcar, no entanto, segundo o dirigente, o ano ''deverá caminhar bem pela boa demanda mundial.''

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