Baixa cotação do dólar não permitirá lucros às indústrias de fios de seda no País. A afirmação é do presidente da Associação Brasileira da Fiação de Seda (Abraseda), Takao Amano, durante a reunião da Câmara Técnica do Complexo Seda do Paraná, realizada no início da semana em Londrina. O executivo preside também a indústria Bratac.
Além do valor da moeda americana, os ganhos das indústrias, segundo Amano, sofrem com a redução nas compras feitas pelo Japão, que importa 60% da produção brasileira. Ele não esconde a expectativa para uma desvalorização do real e a retomada do crescimento do País, pois teme dificuldades na concorrência com a China e outros países asiáticos. ''A China, além de custo de produção reduzido, por conta da menor carga tributária e dos baixos salários, tem uma moeda mais desvalorizada diante do dólar'', reafirmou o presidente da Bratac.
No Brasil, a Bratac e Fujimura se destacam como as duas maiores empresas de fiação de seda, ambas com unidades instaladas no Estado, que se classifica como o maior produtor nacional de bicho-da-seda. A Bratac produz em torno de 74% da seda brasileira e tem mais de 5 mil produtores conveniados em diversos estados, principalmente no Paraná. A Fujimura tem uma indústria em Cornélio Procópio. Apesar do baixo lucro, as duas empresas anunciam a possibilidade de estabelecer parcerias com novos produtores para o ano que vem. ''A Bratac precisa de pelo menos 400 novos produtores todos os anos para manter a produção anual'', justifica o presidente Takao Amano.
Durante a reunião o pesquisador Rui Yamaoka, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), anunciou a realização de um curso sobre novas tecnologias ligadas a sericicultura. O evento servirá também para divulgar resultados de pesquisa do instituto e técnicas que beneficiem toda a cadeia produtiva. A data sugerida pelos participantes foi o mês de junho de 2007, quando começa a entressafra do setor.

mockup