Setor canavieiro retoma produção
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sexta-feira, 13 de julho de 2001
Carolina Avansini De Londrina 
A safra de cana 2000/2001 do Paraná deve alcançar 24 milhões de toneladas, que serão transformadas em 1,2 milhão de toneladas de açúcar e 1,1 bilhão de litros de álcool. Os números revelam crescimento de 20% com relação à última safra, indicando a retomada da capacidade produtiva de dois anos atrás, informou Paulo Zanetti, superintendente da Associação de Produtores de Álcool e Açúcar do Paraná (Alcopar). A colheita começou em maio e termina em novembro.
A conjuntura, aliada às exigências ambientais cada vez mais severas que a legislação impõe ao setor, torna o momento propício para a modernização e a recuperação de mercados. Nesse contexto, a implementação de tecnologias como a colheita mecânica e a comercialização da energia gerada pela queima do bagaço da cana em unidades termoelétricas se configuram como sugestões viáveis para agregar valores à produção.
Nos canaviais paranaenses, a mecanização da colheita é pouco significativa. Segundo o presidente da Alcopar, entre as 28 empresas estabelecidas no Estado, apenas a Usina Cidade Gaúcha, no muncípio de mesmo nome (80 km a nordeste de Umuarama), está em processo adiantado de adesão à tecnologia. Em São Paulo, onde a legislação prevê a eliminação gradativa da queimada, o índice de utilização das colhedoras chega a 25%. Em todo o Estado, 65% a 70% das áreas são passíveis de mecanização.
TendênciaPara Paulo Zanetti, o emprego de máquinas na colheita da cana deverá ser impulsionado, no Paraná, pelas dificuldades cada vez maiores que a legislação impõe à realização da queimada. Atualmente, a prática está restrita ao período noturno e só é permitida mediante autorização dos órgãos ambientais competentes.
Ele lembrou, porém, que a utilização da tecnologia precisa ser feita com cautela, para evitar o desemprego em massa dos 50 mil trabalhadores que atualmente trabalham no corte da cana. O Paraná é o segundo maior produtor do País e nessa safra, a atividade ocupou 260 mil hectares. De acordo com o site da Alcopar na Internet, as 28 usinas aqui estabelecidas proporcionam 74 mil empregos diretos, com impacto econômico em 126 municípios.
Se não desenvolvermos programas paralelos com alternativas agrícolas para essas pessoas, corremos o risco de aumentar o número de favelados nos grandes centros e de trabalhadores sem terra na beira das estradas, disse Paulo.
Uma das propostas do setor para amenizar as consequências da mecanização é a elaboração de projetos de reflorestamento. Segundo o presidente da Alcopar, a atividade absorveria a mão-de-obra da cana e colaboraria com a preservação do meio ambiente. Além disso, todas as atividades que reduzam a emissão de gases poluentes na atmosfera serão passíveis de se transformar em commodities ambientais quando o protocolo de Kyoto entrar em vigor, com possibilidade de gerar lucros. Acho que esse é o caminho para a cana, afirmou.
EnergiaDe acordo com Zanetti, todas as usinas de açúcar e álcool do Paraná são auto suficientes na produção de energia, que é obtida em unidades termelétricas através do vapor resultante da queima do bagaço da cana. Além disso, possuem excedente que poderia ser comercializado, transformando o bagaço em mais um importante subproduto.
Como a instalação da tecnologia adequada para gerar e comercializar energia exige altos investimentos, Zanetti recomenda cautela na hora de negociar a venda. Segundo ele, o produtor não pode entrar nesse segmento apenas com base nos altos preços estabelecidos pela crise energética. É euforia, assim como aconteceu com o álcool há alguns anos atrás, disse. A recomendação da Alcopar é agir com segurança, negociando apenas contratos a longo prazo que garantam retorno de investimentos.
Representantes da entidade também temem que o enfoque excessivo na geração de energia ocasione descuido com o mercado do álcool. Na opinião de Zanetti, a retomada da capacidade produtiva do setor sucroalcooleiro paranaense torna o momento adequado para investir na recuperação de alguns segmentos, como o de carros a álcool, a mistura do produto no diesel e a exportação para Estados Unidos e Japão.
Atualmente, a saca de 50 quilos de açúcar está sendo vendida a R$22 e o litro do álcool, a R$0,50. Para o presidente da Associação, o preço é bom e remunera o produtor. O mercado está equilibrado, afirmou.


