Setor canavieiro retoma fôlego
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sexta-feira, 01 de julho de 2011
Ricardo Maia <br> Reportagem Local 
Dados da Associação dos Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar) revelam que o Estado deverá produzir nesta safra cerca de 47 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, 3,7 milhões a mais do que 2010. Segundo o superintendente da entidade, José Adriano da Silva Dias, mesmo com esse crescimento, o volume de produção, não só no Paraná mas de todo o Brasil, é pequeno para atender à crescente demanda do mercado interno. De olho nisso, empresários do setor estão investindo para ampliar a oferta, mas a tarefa não é das mais fáceis.
Dias explica que entre os anos 2000 e 2008, a área plantada de cana no Paraná crescia 10,4% ao ano. Porém, segundo ele, com a chegada da crise econômica mundial, iniciada no final de 2008, os investimentos em crescimento de área e adubação dos canaviais pararam em todo o País, ocasionando uma queda na produtividade. ''Enquanto a matéria-prima foi diminuindo, a indústria continuou crescendo. E a lavoura, que começou a perder a qualidade, passou a não dar mais conta da demanda das usinas'', explica.
Neste ano, de acordo com a Alcopar, a área plantada no Paraná gira em torno de 670 mil hectares de cana. Dados do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab) apontam que em 2011 a área deverá crescer por volta de 4%, ficando com 649 mil hectares. O superintendente da Alcopar destaca que o momento é propício ao investimento, e o Paraná, segundo ele, já está fazendo o seu ''dever de casa''.
Dias reforça que o Estado tem cerca de 2 milhões de hectares disponíveis para a produção de cana-de-açúcar. ''O Paraná tem condições de quase quadruplicar sua área plantada'', sublinha o superintendente da Alcopar. Mesmo com esse potencial, ele explica que o Estado está perdendo investimentos no setor. Um dos motivos, segundo ele, seria a migração das usinas para outros estados brasileiros que oferecem melhores condições fiscais.
''Há três anos éramos o segundo maior produtor de cana do Brasil, ficando somente atrás de São Paulo. Hoje, estamos em quarto lugar porque perdemos a posição para Minas Gerais e Goiás que investiram pesado nas indústrias de moagem de cana, oferecendo condições fiscais bem mais atrativas do que a nossa'', reforça Dias. Ele lamenta que em breve podemos perder a quarta posição para o Mato Grosso do Sul, que nos últimos quatro anos quadriplicou sua produção de cana-de-açúcar.
Segundo o superintendente da Alcopar, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) é um dos motivos dessa perda de posição do Paraná. Hoje, o imposto cobrado às indústrias paranaenses gira em torno de 25%. Em São Paulo e no Mato Grosso do Sul, por exemplo, esse mesmo tributo está por volta de 12%. ''O governo estadual já sinaliza reduzir o ICMS para 18% no Paraná. Isso para elevarmos o nosso ranking de produção'', ressalta. Segundo ele, muitas distribuidoras estão trazendo produtos de outras regiões do Brasil para o Estado porque fica mais barato. ''Isso tem que ser revertido'', adverte Dias.
Porém, ele esclarece que o Estado está tentando reagir. Ao todo, o Paraná tem 30 indústrias setoriais. Em 2010 foram instaladas duas novas usinas de açúcar e oito de etanol. Ele destaca que as usinas do Estado que só produziam separadamente açúcar ou etanol passaram a investir em equipamentos para fabricar os dois produtos. Um exemplo é a unidade da Renuka Vale do Ivaí S/A, instalada em Cambuí, região Noroeste, que antes de ser adquirida por um grupo de indianos só processava etanol. Agora, a empresa já trabalha com os dois produtos. De acordo com o presidente da empresa, Paulo Zanetti, a medida tem por objetivo atender o crescimento da demanda do mercado.
O superintendente da Alcopar acrescenta que além da contribuição das usinas nesse processo, o governo federal vem trabalhando em políticas públicas para fomentar o setor produtivo. Uma das medidas foi a inclusão do setor no plano agrícola, que deverá fomentar o plantio de cana para a próxima safra. Outra mudança é a inclusão da Agência Nacional do Petróleo (ANP) que passa a regular e fiscalizar o etanol ao invés do Ministério da Agricultura. ''Essas medidas, já em curto prazo, trarão melhorias no setor'', finaliza.


