Atender a demanda crescente por pescado no Paraná não é uma tarefa fácil. Por conta disso, a agroindústria setorial está crescendo. A processadora Estância Bandeirantes, localizada em Rolândia, chega a processar 1,5 mil quilos de tilápia por dia. Há seis anos nesse mercado, o atual abatedouro, que antes era um pesque-pague, viu no crescimento da piscicultura regional uma oportunidade de negócio.
João Carlos Rogério, representante da Estância Bandeirantes, diz que a tilápia foi escolhida por ter uma movimentação de mercado maior do que se comparada a outras espécies. Além disso, é um animal altamente competitivo no mercado por ter um preço acessível. ''A maioria dos consumidores preferem a tilápia porque é um peixe que não tem odor forte'', explica. Quase toda a produção processada no frigorífico é direcionada para bares e restaurantes da região.
Em 400 metros quadrados, Rogério chega a receber 800 toneladas por ano de seus 16 fornecedores. Para agilizar a produção, a Estância realiza um sistema de parceria com os produtores. O frigorífico fornece o juvenil - animal ainda em fase de crescimento de peso médio de 30 gramas - a um preço abaixo de mercado e assistência técnica.
Emerson Chris Santos é um dos cooperados. Há três anos cria tilápia no sítio Santa Maria, localizado em Rolândia. Em um tanque de 7.500 metros quadrados, chega a produzir 25 mil quilos de peixe por ano. Santos conta que seu interesse pela atividade se deu pelas vantagens apresentadas por Rogério. O criador viu no fornecimento de matéria-prima ao frigorífico uma oportunidade de aumentar a renda.
Santos diz que para cada quilo vendido, chega a ter lucro líquido R$ 0,80. ''Minha intenção é ampliar 1 hectare de tanque'', revela. O produtor conta que o atual tanque foi construído pelo seu avô na década de 70 e que era pra ser um balneário. Agora, o tanque já está pequeno e o produtor não consegue fazer um manejo adequado com um só. Segundo Santos, cada alevino fornecido pelo frigorífico demora oito meses para o abate.
No período final de cria, o produtor não pode colocar os alevinos junto com os maiores. A falta de um segundo tanque o obriga a ter a sua produção parada em dois ou três meses, até mesmo para fazer a manutenção. ''Se os órgãos responsáveis pela liberação ambiental fossem mais rápidos, com certeza eu já teria mais tanques em minha propriedade'', reclama. Santos se refere ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) que, segundo ele, demora a fazer as vistorias e para soltar o laudo. (R.M.)

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