As variações climáticas inerentes ao inverno estão entre as principais preocupações dos agricultores que começam a se preparar para o plantio da estação. Uma alternativa para diminuir os possíveis prejuízos é a contratação do seguro agrícola, que resguarda o produtor da possibilidade de perda dos recursos investidos. Ao optar pelo serviço, é importante atentar para as exigências do contrato, para evitar aborrecimentos futuros.
O seguro pode ser contratado através das cooperativas, vinculado ao financiamento bancário ou pelas corretoras. O preço é definido pelo orçamento de custeio da lavoura. Na ocorrência de algum evento que justifique o ressarcimento, o serviço cobre o custo declarado pelo produtor. O seguro rural ainda é pouco utilizado pelos agricultores.
‘‘Não podemos pagar lucros, o objetivo do seguro agrícola é zerar o prejuízo’’, afirmou o pecuarista Arnaldo Coelho do Amaral Filho, proprietário da corretora Verde Rural. Ele acrescentou que o orçamento deve ser assinado por um engenheiro agrônomo e incluir todos os insumos aplicados e a mão-de-obra utilizada.
CustoAs seguradoras cobram 8% do valor do custeio para segurar as lavouras de milho e 10% do orçamento para garantir as lavouras de trigo. No caso do café, o valor é definido pela idade dos pés, variando de 7% no primeiro ano a 4,7% do 4º ao 10º ano.
O preço também é influenciado pelo nível de tecnologia utilizada no plantio. O produtor que aplica técnicas diferenciadas e investe mais em insumos, visando aumentar a produtividade, vai pagar mais caro pelo seguro, pois vai receber um valor maior no caso de ocorrerem emergências.
No momento da contratação, é preciso tomar alguns cuidados para evitar aborrecimentos futuros. Em primeiro lugar, Arnaldo recomenda apresentar uma documentação que demonstre a realidade da lavoura, pois a seguradora investiga se o produtor realmente utilizou todos os recursos declarados.
Outra dica é prestar máxima atenção à ocorrência de eventos que possam prejudicar a safra. O corretor deve ser informado sobre qualquer acontecimento imprevisto, para faciliatar a comprovação do prejuízo no caso do agricultor precisar recorrer ao seguro. Essa preocupação também garante o recebebimento parcial do valor declarado quando os danos não ocasionarem perda total.
PrecisãoA lavoura precisa ser tocada com todos os cuidados exigidos, pois qualquer desleixo por parte do produtor pode provocar a exclusão do benefício. ‘‘O sistema não admite imprecisão’’, explicou Amaral.
Estão incluídos na cobertura da maioria dos seguros os prejuízos com incêndios e raios; trombas d‘água; ventos fortes e ventos frios; granizo; chuvas excessivas; secas; geadas e variações excessivas de temperatura.
Entre os principais riscos não cobertos estão os ensaios ou experimentos de qualquer natureza; atos de autoridades públicas; guerras, invasões e revoluções; prejuízos ocasionados pelo segurado ou beneficiário e a condução da cultura em desacordo com as recomendações técnicas.
No Paraná, a contratação do seguro ainda é uma prática pouco difundida entre os agricultores. O Estado possui cerca de 250 mil propriedades rurais, mas menos de 10% dos produtores contrata o serviço, de acordo com Arnaldo. Ele acrescentou que a maioria das lavouras cobertas por seguro são financiadas e possuem alto grau de tecnologias aplicadas, principalmente nas culturas de safrinha e trigo (no inverno), soja, milho e algodão (no verão).
Para os produtores mais precavidos, as empresas oferecem outras modalidades. É possível contratar o serviço para gado de corte, leite e elite, além de proteger contra roubos as máquinas, equipamentos, implementos e produtos colhidos.

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