Serpentes e aranhas provocam maioria dos acidentes na região
Na região de Londrina (em uma área que abrange 90 municípios), o Centro de Controle de Intoxicações (CCI) funciona no Hospital Universitário. A maioria dos casos registrados é ocasionada por aranhas armadeiras e serpentes, as da espécie jararaca e cascavel. Em média são registrados entre 100 e 200 casos por ano. A recomendação em todos os acidentes é que as vítimas procurem uma Unidade Básica de Saúde para que o atendimento seja feito rapidamente. Somente os profissionais poderão avaliar qual o procedimento adequado. O paciente ainda tem que ficar em observação por no mínimo seis horas. Também é importante lembrar que a vítima só deve tomar algum medicamento depois de orientação médica.
No caso das aranhas armadeiras - típicas da região - a picada ocorre nas extremidades. Esta espécie é grande e agressiva e a lesão provoca dor localizada, que irradia. As armadeiras são facilmente encontradas na zona urbana e costumam se esconder entre folhagens e entulhos. ''Geralmente esta aranha (armadeira) não entra nas residências e não faz teias como as 'aranhas caseiras', que não oferecem perigo'', comenta Conceição Turini, farmacêutica responsável pelo CCI. Segundo ela, este tipo de aranha pode até ser encontrada dentro de casa, mas em meses frios e em períodos de acasalamento.
Depois da picada é importante lavar o local com água e sabão e, se possível, capturar o animal porque facilita o diagnóstico. Os sintomas típicos pós-picada são: alteração da pressão arterial e do ritmo cardíaco, náusea e vômito. ''Nesses casos nossa maior preocupação são com crianças pequenas e com idosos que já tem alguma doença prévia'', diz Conceição. No caso da aranha-marrom, típica da região de Curitiba, ela acrescenta que o diagnóstico ocorre mais tardiamente porque a picada não causa dor de imediato e a lesão aparece até 24 horas depois do acidente. A picada da aranha-marrom ocorre por compressão e a dor não irradia.
Serpentes
As pessoas que forem picadas por serpentes devem procurar obrigatoriamente um hospital. Este procedimento tem que ser adotado porque nem sempre o animal agressor é capturado e, neste caso, o diagnóstico é feito com o auxílio de exames laboratoriais. Além disso, o tratamento requer a aplicação do soro antiofídico, que tem que ser ministrado no ambiente hospitalar porque causa reações e necessita de tratamento específico. Ela ressalva que fazer torniquetes ou amarrar com garrotes no local da picada - prática bastante difundida - só irá agravar a lesão. Isto porque o veneno ficará concentrado, o que pode provocar necrose no tecido.
Além disso, é importante que a pessoa retire anéis ou qualquer outro objeto que aperte o corpo, como relógios, pulseiras, cintos e botas. ''Não se deve colocar nada sobre a picada, como esterco, cebola, alho, vinagre ou pó de café. Isso é uma 'porta aberta' para infecções secundárias'', frisa Gisélia Rubio, chefe da Divisão de Zoonoses e Intoxicações da Secretaria de Estado da Saúde. Como as picadas ocorrem, geralmente, nos membros inferiores, é importante que a vítima permaneça calma, sem fazer movimentos agitados e que beba muita água. O local da picada deve ser lavado com água e sabão para descontaminação.
Este procedimento ajuda a reduzir o risco de infecções bacterianas ou tétano, uma vez que a bactéria causadora do tétano já foi encontrada na boca das serpentes. ''O ideal é que o atendimento ocorra na primeira hora depois do acidente, mas também não precisa de desespero porque ninguém morre imediatamente'', observa. (F.M.)





